Detalhando o atual balanço de riscos, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sumarizou um roteiro para a avaliação prospectiva do cenário para a inflação e para a política monetária. Entretanto, mesmo com a manutenção da assimetria altista, dado o tamanho dos desafios em várias dimensões, o quadro tornou-se mais desafiador, por isso a sinalização de apenas mais 1 aumento da Selic em março. Resumindo os 3 pontos principais para monitoramento, seriam: (i) a evolução da atividade e de seus impactos na inflação e serviços; (ii) o comportamento da taxa de câmbio e o repasse da alta do dólar para a inflação; e (iii) a deterioração das expectativas de inflação. A combinação da evolução desses fatores é que ajudará a entender a decisão de política monetária que será adotada em maio.
Os indicadores de atividade divulgados na semana indicaram alguma perda de tração. A produção industrial recuou -0,3% em dezembro, levando a uma retração de -0,4% no 4T24, mas ainda acumulando alta de 3,1% a.a. em 2024. O superávit comercial, acumulado em 12 meses, alcançou US$ 70,1 bilhões em janeiro. No período, o total das exportações caiu -2,4% em relação a jan/24 e, graças à expansão da demanda doméstica, as importações cresceram a um ritmo mais acelerado de 10,2% a.a.. Já o percentual de famílias que se consideram endividadas caiu pelo 2º mês consecutivo ratificando a cautela dos consumidores no endividamento em um período de alta de juros. Após 5 quedas consecutivas entre jun/24 e nov/24, o índice de intenção de consumo das famílias registrou o 2º aumento mensal em sequência, crescendo 0,2% na margem em janeiro.
Após uma alta mensal de 6,74% em dez/24, o índice de commodities do Banco Central (IC-Br) cresceu 1,14% em janeiro. Em termos anualizados, reduziu-se a alta do IC-Br de uma elevação de 39,19% a.a. em dez/24 para 36,69% a.a.. Beneficiando-se dessa desaceleração, a elevação do IGP-DI reduziu-se de 0,87% em dez/24 para 0,11% em janeiro. Apesar do alívio, a taxa anualizada acelerou de 6,86% a.a. em dez/24 para 7,27% a.a..
Entre as idas e vindas nos sinais emitidos para a condução da política comercial dos EUA, houve particularmente em 07/02 um aumento na aversão ao risco, com a leitura do conjunto de indicadores de que o mercado de trabalho continua pressionado, não oferecendo espaço para a continuidade da flexibilização monetária. Contudo, na semana, o dólar enfraqueceu-se frente às principais moedas. Sem alterações no cenário fiscal, o real manteve a sua trajetória de recuperação, apreciando 0,60% na semana, com o dólar cotado a R$ 5,81.
Reforçando o cenário profundamente desafiador para a convergência da inflação à meta, a despeito da taxa de juros em patamar fortemente contracionista e da provável perda de dinamismo da economia, persistiu o movimento de desancoragem das expectativas. No Boletim Focus, a estimativa para a alta do IPCA para 2025 saiu de 5,51% em 31/1 para 5,58% em 07/02 e para 2026 de 4,28% para 4,30%, enquanto para o final do 3T26, horizonte relevante para a política monetária, subiu de 4,43% para 4,46%.
Nessa semana, as atenções voltam-se para o IPCA de janeiro, que deve mostrar uma alta mais contida, por conta da redução pontual da tarifa de energia elétrica, enquanto os resultados dos setores de serviços e varejo podem ratificar a percepção do desaquecimento da atividade. No exterior, serão divulgados a inflação ao consumidor e ao produtor dos EUA, além da produção industrial e vendas no varejo. Na Zona do Euro, enfoque na produção industrial e 2ª leitura do PIB do 4T24.


