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Ferramentas para análise de risco socioambiental e climático

Os integrantes da Comissão de Risco Socioambiental e Climático discutem soluções e boas práticas de mercado que apoiam as instituições financeiras na análise criteriosa dos riscos climáticos e socioambientais associados às empresas demandantes de crédito.

Os membros da Comissão de Risco Socioambiental e Climático da ABBC, Antonio Ferrari (coordenador da Comissão) e Maria Fernanda Bianconi, ambos do Banco ABC Brasil, trouxeram aos associados em novembro um compilado de ferramentas que auxiliam as instituições financeiras a comporem suas análises de riscos socioambientais e climáticos. O encontro, voltado para especialistas e gestores ESG do setor bancário, destacou recursos que ampliam a capacidade dos bancos em integrar critérios ambientais e climáticos na concessão de crédito.

A apresentação abordou ferramentas que vão desde a análise de recursos hídricos e projeções futuras até alertas de desmatamento em áreas de operação. Dentre as ferramentas citadas, está o Adapta Brasil do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), que fornece dados sobre seca, inundação, enxurradas, alagamentos, deslizamentos entre outros eventos, auxiliando a análise de operações de crédito de longo prazo (inclusive esta plataforma é objeto de menção pelo Bacen na consulta pública sobre divulgação de riscos climáticos – nº 100/2024). Outra ferramenta citada foi o Resource Watch, que agrega informações sobre recursos naturais, como florestas e água, além de dados sociais e econômicos. Sua capacidade de integrar fontes diversas, como UNEP e WRI, foi apontada como diferencial para relatórios e estudos estratégicos.

Maria Fernanda explicou que, diante do fortalecimento da agenda climática, a demanda por soluções inovadoras cresceu significativamente. Ela enfatizou a importância de ferramentas que combinem informações históricas, como a evolução de um local, com projeções futuras, permitindo que bancos antecipem cenários de risco.

Antonio Ferrari destacou o MapBiomas Alert, amplamente utilizado pelo BNDES, que emite alertas de desmatamento e gera relatórios detalhados sobre o uso do solo, uma funcionalidade essencial para monitorar garantias rurais e operações de crédito rural.

Ferrari mencionou ainda que o MapBiomas Brasil complementa essa análise ao fornecer dados históricos sobre vegetação, áreas de fogo e mudanças no uso do solo. Para ele, esse nível de detalhamento é essencial em estratégias que buscam mitigar riscos climáticos associados a projetos financiados.

Acima, algumas das principais ferramentas levantadas por Antonio Ferrari e Maria Fernanda (ambos do Banco ABC) para contribuir com uma melhor avaliação do risco climático nas instituições financeiras

Outro ponto abordado foi a necessidade de integração das ferramentas com sistemas bancários. Ferrari citou exemplos práticos de APIs que automatizam o envio e análise de dados, agilizando a identificação de áreas críticas e reforçando o compromisso com a sustentabilidade.

Durante a apresentação, foram levantados casos práticos que evidenciam o impacto positivo dessas ferramentas. Em regiões historicamente afetadas por enchentes, por exemplo, análises prévias já apontavam para riscos significativos, que poderiam ter sido mitigados com ações preventivas baseadas em dados climáticos disponíveis.

Ferrari e Maria Fernanda concluíram destacando que o avanço tecnológico e a regulação climática, tanto no Brasil quanto na União Europeia, colocam os bancos em uma posição central na promoção de práticas mais sustentáveis. Para eles, essas ferramentas não apenas facilitam a análise de risco, mas também reforçam o papel das instituições financeiras como agentes de transformação na luta contra as mudanças climáticas.

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