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Redução no otimismo com a queda dos juros

Na leitura de que a conjugação da recente melhora nos indicadores qualitativos da inflação corrente aliada com a apreciação cambial e a gradual desaceleração da atividade seja mantida, o Boletim Focus tem sinalizado uma redução nas expectativas inflacionárias, com a projeção para o IPCA para 2025 recuando de 4,56% em 24/10 para 4,55% em 31/10 (4,80% há 4 semanas), dessa forma aproximando-se do teto da meta. No horizonte relevante para a política monetária (1T27), o indicador diminuiu de 4,11% para 4,09% (4,17% há 4 semanas).

Sem grandes alterações significativas no balanço de riscos para a inflação e na percepção de que os efeitos defasados da política monetária seguem em curso, a taxa básica de juros deverá ser mantida em 15,00% a.a. na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). Com esse quadro, o Boletim Focus estima um corte de -0,25 p.p. em janeiro. Contudo, esse otimismo não é ratificado no mercado de opções da B3, que indicou uma elevação na probabilidade de manutenção da Selic de 47,6% em 24/10 para 57,0% em 30/10.

No mercado de trabalho, o impacto do aperto monetário e da desaceleração da atividade tem sido limitado. Em setembro, a taxa de desemprego pela Pnad Contínua manteve-se no menor patamar da série, em 5,6%, mostrando retrações de -0,2 p.p. no trimestre e de -0,8 p.p. ante ao trimestre móvel findo em set/24. Paralelamente, os novos postos de trabalho formal somaram 213,0 mil no período, bem acima do projetado (172,5 mil pelo Valor Data).

Por outro lado, o quadro fiscal segue desafiador, o déficit primário do setor público consolidado elevou-se para R$ 17,45 bilhões em setembro, com o resultado no acumulado em 12 meses (12m) subindo de 0,19% do PIB em ago/25 para 0,27% do PIB.

Em meio às preocupações empresariais com o cenário monetário restritivo e as incertezas no comércio exterior, as sondagens de confiança da FGV mostraram resultados mistos em outubro.

No front internacional, o Comitê Federal para o Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed), como esperado, reduziu a taxa das Fed Funds em -0,25 p.p., para a faixa de 3,75% a 4,00% a.a.. Entretanto, a ausência de sinalização de um corte adicional na reunião de dezembro teve impacto relevante nos mercados, principalmente pelo efeito na expectativa da trajetória futura da política monetária. Como consequência, a probabilidade no FedWatch de que a taxa básica de juros permaneça em dezembro entre 3,75% a.a. e 4,00% a.a. saiu de 3,6% em 24/10 para 37,0% em 31/10.

Na agenda da semana, além da decisão do Copom, as atenções se voltam para os números da produção industrial, emplacamento de veículos, balança comercial e o IGP-DI. No exterior, apesar da agenda cheia nos EUA, poucos indicadores devem ser divulgados devido ao shutdown, com destaques para a confiança do consumidor e o PMI manufatura e serviços. Na China, saem o PMI manufatura e serviços e a balança comercial, enquanto na Zona do Euro, o PMI manufatura e serviços e as vendas no varejo.

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