Após uma elevação de 0,25 p.p. na Selic para 15,0% a.a., o Copom sinalizou uma pausa temporária, a fim de avaliar os efeitos defasados de todo o ciclo de aperto monetário, que desde set/24 aumentou a taxa básica de juros em 4,5 p.p.. Reiterando que não hesitaria em prosseguir nesse ciclo se necessário, destacou, ainda, que a interrupção seria necessária para que seja avaliado se o atual nível é suficiente para assegurar uma trajetória de convergência da inflação à meta, devendo permanecer por um período bastante prolongado em patamar significativamente contracionista, até que este objetivo possa ser alcançado.
Com a exigência de cautela na condução da política monetária, fundamentou-se a decisão na: projeção de inflação acima da meta no horizonte relevante, alcançando 3,6% para 2026; persistente desancoragem das expectativas inflacionárias; abertura do hiato do produto, com um cenário de desaceleração gradual da atividade econômica e o mercado de trabalho próximo ao pleno emprego; tensão geopolítica; e incerteza elevada no ambiente externo.
Avaliando-se os principais fatores no balanço de riscos para inflação, observou-se um recrudescimento no grau de complexidade do cenário, principalmente no que tange aos possíveis desdobramentos da disputa tarifária no comércio internacional nas mais diversas variáveis e na dinâmica dos preços.
De positivo para inflação, no cenário externo, houve uma diminuição das tensões no Oriente Médio que propiciou uma redução nas cotações do petróleo. Entre 18/06 e 18/07, o preço do barril de petróleo tipo Brent caiu 9,7% em dólares no período (US$ 69,28) e 8,3% em reais (R$ 386,55), o que deve favorecer as projeções no cenário de referência.
No ambiente interno, houve pouca alteração em relação ao encontro anterior, com o crescimento da atividade econômica perdendo força, ainda que em ritmo gradual, as expectativas de inflação dando alguns sinais de recuo, mas ainda distantes da meta oficial, e o mercado de trabalho ainda aquecido, com o desemprego próximo ao seu mínimo histórico.
Manteve-se, por um período, um movimento de apreciação do real, com a taxa de câmbio aproximando-se de R$/US$ 5,40. Contudo, a partir do anúncio pelos EUA do aumento da tarifa das importações do Brasil para 50% em 01/08/25 houve uma inflexão nesta trajetória, levando a cotação a bater R$/US$ 5,60. Em consonância, com a elevação dos prêmios de risco, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano adentrou-se ainda mais em patamar contracionista, saindo de 9,57% a.a. em 18/06/25 para 9,74% a.a. em 18/07/25, superando em muito a taxa neutra de 5,0% a.a. calculada pelo Banco Central e as estimativas do mercado.
Com as incertezas dos impactos do choque na pauta comercial na taxa de câmbio e na oferta interna, acreditamos que a manutenção da sinalização da parada temporária do ciclo de ajustes seja de momento a estratégia mais adequada para a convergência da inflação à meta, conferindo maior grau de liberdade para a condução da política monetária que deverá responder fundamentalmente à evolução dos dados de inflação e da atividade econômica.


