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Em compasso de espera

Com a conjunção entre a necessidade de cautela em um ambiente externo ainda incerto e a leitura de que os efeitos defasados da política monetária permanecem em curso, a taxa Selic deverá ser mantida em 15,00% a.a. na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A manutenção em terreno contracionista se faz necessária para avaliar se o nível atual é suficiente para ancorar as expectativas de inflação na meta. Assim, a retomada do processo de redução dos juros somente ocorreria quando os sinais assegurem essa convergência.

Reagindo ao movimento favorável na taxa de câmbio, ao aperto das condições financeiras e ao comportamento da inflação corrente, o quadro para a inflação tem melhorado de forma bem gradual. O IPCA registrou deflação de -0,11% em agosto, com a taxa anualizada reduzindo-se de 5,23% a.a. em jul/25 para 5,13% a.a.. Todavia, os componentes mais relevantes para a política monetária seguiram pressionados, sinalizando que o processo de desinflação ainda se encontra em estágio inicial. A média dos núcleos acompanhados pelo BC acelerou de 5,06% a.a. para 5,12% a.a., a inflação dos serviços subjacentes ampliou-se de 6,68% a.a. para 6,74% a.a. e a dos serviços intensivos em mão de obra de 5,94% a.a. para 6,31% a.a..

No Boletim Focus, embora as estimativas inflacionárias estejam distantes de 3,0%, vêm se reduzindo gradualmente. Ente os dias 05/09 e 12/09, as projeções para o IPCA para 2025 diminuíram de 4,85% para 4,83%, da inflação suavizada para 12 meses (12m) à frente de 4,45% para 4,43% e para o 1T27, horizonte relevante para a política monetária, de 4,18% para 4,17%.

Reforçando o sentimento de desaceleração, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou pelo 3º mês consecutivo, -0,53% a.m. em julho, com a variação trimestral saindo de uma alta de 0,24% em jun/25 para uma queda de -1,00%. Em julho, as vendas no varejo restrito caíram -0,28% a.m., apesar do bom dinamismo no mercado de trabalho e da evolução favorável na renda real. Apesar do crescimento de 0,30% a.m. em julho, alavancado pelo grupo de informação e comunicação, itens com mais peso no PIB surpreenderam negativamente no setor de serviços.

Nos EUA, o enfraquecimento do mercado de trabalho consolidou as apostas na retomada do ciclo de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed), com um corte de -0,25 p.p. na Fed Funds, ainda que o índice de preços ao consumidor (CPI) tenha acelerado de 2,7% a.a. em jul/25 para 2,9% a.a. em agosto (3,1% a.a. excluindo os alimentos e energia).

Na semana, as atenções se voltam para as reuniões de política monetária no Brasil e nos EUA. Na agenda de indicadores doméstico, saem o Monitor do PIB FGV, IGP-10 e a taxa de desemprego. No front externo, enfoque para as vendas no varejo, produção industrial e os números do mercado imobiliário dos EUA, além da produção industrial e vendas no varejo na China e CPI e produção industrial na Zona do Euro.

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