Associação vê pausa da Selic como decisiva para os rumos da política monetária

A ABBC – Associação Brasileira de Bancos avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá manter a taxa Selic em 15,0% ao ano nas próximas reuniões de setembro, novembro e dezembro. O movimento dá continuidade à pausa no ciclo de alta iniciado em setembro de 2024, quando a taxa subiu 4,5 pontos percentuais no total.
Segundo a assessoria econômica da entidade, a decisão condiz com as projeções de inflação, ainda acima da meta, mas em trajetória gradual de queda. O Boletim Focus de 12 de setembro aponta expectativas de 4,83% para 2025, 4,30% para 2026 e 4,17% para o 1º trimestre de 2027 (horizonte relevante para a política monetária), todas abaixo das previsões anteriores.
“O Copom busca ganhar tempo para avaliar os efeitos defasados do ciclo de aperto empreendido na convergência da inflação à meta. O cenário ainda exige cautela, mas os sinais recentes, como a valorização do real, a queda dos juros de longo prazo e a redução no preço do petróleo ajudam a reforçar a estratégia de pausa”, escreve, em nota, a ABBC.
Apesar da melhora, a entidade destaca que os riscos permanecem elevados. Entre os fatores de pressão, estão uma possível resistência maior da inflação de serviços e a conjunção de políticas econômicas externas e internas com maior impacto inflacionário. Por outro lado, uma maior desaceleração da economia global e a queda na cotação de commodities reduzem a pressão sobre os preços.
“O Banco Central deverá manter o discurso de prudência, reforçando que pode retomar o aperto se houver necessidade. A comunicação seguirá enfatizando a flexibilidade da política monetária, que precisa estar preparada para responder tanto a choques internos quanto externos”, destaca.
Expectativas para o comunicado do Copom
Apesar de confirmar a manutenção da taxa Selic no atual patamar por um período prolongado, a comunicação do Copom deve reforçar a importância de manter elevado grau de discricionariedade na condução da política monetária. As decisões seguirão condicionadas à evolução dos principais indicadores econômicos e financeiros, especialmente diante do aumento das incertezas no cenário externo, garantindo maior flexibilidade e agilidade na resposta a possíveis mudanças.
“Como de costume, o comunicado também deverá trazer a atualização das projeções condicionais para as principais variáveis macroeconômicas, além das premissas que compõem o cenário de referência”, finaliza a Associação.


