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Desaceleração se avizinha

A dinâmica da inflação doméstica segue preocupante, mostrando apenas um alívio pontual em janeiro, beneficiada pelo barateamento das contas de energia elétrica por conta da aplicação dos bônus de Itaipu. Apesar da taxa anual estar muito próxima do teto da meta, a média anualizada dos 5 núcleos acompanhados com mais atenção pelo Banco Central (BC) acelerou pelo 5º mês consecutivo, saindo de 4,34% a.a. em dez/24 para 4,54% a.a. e a inflação dos serviços subjacentes, mais ligados ao ciclo econômico, avançou de 5,84% a.a. para 5,95% a.a., no maior patamar desde jul/23.

Em linha com a preocupação do BC com a ampliação da desancoragem das expectativas inflacionárias, a projeção do IPCA acumulado em 12 meses para o horizonte relevante para a política monetária (final do 3T26) elevou-se de 4,46% para 4,50% (4,28% há 4 semanas), contudo, houve uma notícia positiva com a queda de -0,10 p.p. na semana para 5,77% da projeção da inflação suavizada para os próximos 12 meses.

Embora devam ser olhados com parcimônia e sem ruídos, os indicadores setoriais de alta frequência divulgados reforçaram os sinais de que esteja ocorrendo uma desaceleração da atividade econômica. Embora fechando 2024 com uma alta de 3,80%, o índice de atividade econômica do BC (IBC-Br) recuou -0,73% em dezembro, saindo de um crescimento de 1,03% no 3T24 para estabilidade no 4T24. O arrefecimento reflete as quedas de -1,14% no varejo ampliado, de -0,45% no setor de serviços e de -0,30% na indústria. A expectativa prospectiva é de que a manutenção da política monetária contracionista e as crescentes incertezas no ambiente global tornam o quadro menos favorável.

Com a dubiedade do cenário da política comercial internacional, houve uma depreciação do dólar no mercado de câmbio. Na semana, o Dollar Index (DXY), que mede o desempenho da divisa norte-americana frente às de países desenvolvidos, recuou -1,23% e o índice que mede a variação de uma cesta de moedas de países emergentes em relação ao dólar subiu 1,60% no período. Recuperando-se do overshooting no final de 2024, o real apreciou-se no ano em 8,34%. Ademais, encerrou a semana com um desempenho superior à média de seus pares emergentes, apreciando-se em 1,94%, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,70, o menor patamar desde 07/11/24.

Com o balanço dos indicadores de inflação e atividade nos EUA divulgados na semana, os agentes de mercado consolidaram o entendimento de que haverá menos cortes na taxa dos Fed Funds em 2025. Nesse cenário, a probabilidade para o fechamento de 2025 é de 33,9% para que se tenha apenas um corte de -0,25 p.p..

Na semana que se adentra, as atenções recaem para a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), os números do setor imobiliário nos EUA, além dos indicadores de atividade industrial e serviços (PMI) dos EUA e Zona do Euro, e a confiança do consumidor de ambas as regiões. No âmbito local, os destaques ficam para o IGP-10 e monitor do PB da FGV.

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