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Contas externas: Trajetória menos confortável

Com a proximidade do anúncio pelos EUA das novas tarifas de importação, a semana exibiu uma elevação na aversão ao risco, com o mercado reagindo às incertezas referentes à dinâmica do comércio mundial e à trajetória da política monetária a ser praticada pelo Federal Reserve (Fed). Se a expressiva alta nas projeções para a inflação de curto e médio prazo reforçam a visão de que o processo de convergência da inflação à meta será árduo, a deterioração da confiança dos consumidores preocupa para a evolução da atividade. Diferentemente da sinalização do Fed, as apostas de mercado apontavam, em 28/03, 33,7% de probabilidade de 3 cortes de -0,25 p.p. na taxa dos Fed Fund até o final do ano.

O retorno da T-Bond de 10 anos subiu 0,02 p.p. na semana para 4,27% e o índice que mede a variação de uma cesta de moedas emergentes em relação ao dólar recuou -0,68% na semana. Apesar da depreciação de 0,58%, o real apresentou um desempenho melhor do que a média de seus pares, com o dólar cotado a R$ 5,76. Alinhando-se ao movimento externo, houve aumento nas taxas de juros no mercado futuro, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano subiu 0,21 p.p. na semana para 9,54% a.a., adentrando-se ainda mais campo restritivo, quando comparada à taxa neutra de 5,00% a.a. estimada pelo Banco Central (BC).

Com os impactos da absorção doméstica muito aquecida nas importações, os números das contas externas mostraram uma trajetória menos confortável, evidenciado na elevação crescente do déficit em conta corrente. Em 12 meses, o saldo negativo foi de US$ -70,20 bilhões (3,28% do PIB), porém totalmente financiados pelos US$ 72,46 bilhões em Investimentos Diretos no País (IDP).

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o Relatório de Política Monetária (RPM) evidenciaram um quadro desfavorável para a inflação no curto prazo. Seguindo o cenário de referência, a inflação acumulada em 12 meses deverá ultrapassar o teto da 4,5% por 6 meses consecutivos em junho, descumprindo dessa forma a meta sob a nova sistemática. A projeção da inflação para 2025 ficou em 5,1%, caindo gradualmente para 3,9% no 3T26 (atual horizonte relevante) e 3,7% para o 4T26 (horizonte relevante na próxima reunião).

Adicionalmente, o BC emitiu 3 sinalizações: (i) de que o ciclo de aperto monetário não estaria encerrado; (ii) de que em função das defasagens, julgou apropriado que o próximo movimento seja de menor magnitude; e (iii) diante da elevada incerteza, não se comprometeu com a extensão do ciclo.

Apesar da desaceleração na margem de 1,31% para 0,64%, o IPCA-15 de março não exibiu melhoria considerável nos indicadores qualitativos e a variação em 12 meses subiu de 4,56% para 4,96% reforçando o quadro de curto prazo menos favorável. Como fator positivo, as expectativas inflacionárias mostram alguns sinais de acomodação, com a inflação suavizada esperada para os próximos 12 meses mostrando recuo pela 7ª vez consecutiva, fechando em 5,15%.

Para esta semana, no cenário interno, ficam os destaques para as divulgações do IGP-DI, produção industrial, balança comercial e vendas de veículos. No front externo, ressaltam-se os dados de gerentes de compras (PMI) na China, EUA e Zona do Euro, além do CPI na Zona do Euro e o Payroll de março nos EUA.

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