Skip to content

Conflito já impacta as políticas monetárias

•O agravamento das tensões no Oriente Médio elevou abruptamente os preços do petróleo e a aversão ao risco. Adicionalmente, a avaliação de que o conflito possa durar mais tempo do que se esperava recrudesceu os temores com a aceleração da inflação internacional, colocando em xeque a evolução das políticas monetárias.

•Com o ambiente agravado pela inflação nos EUA ainda distante da meta de 2,0%, a probabilidade de que a taxa dos Fed Funds fique entre 3,50% a.a. e 3,75% até o final do ano subiu consideravelmente de 17,6% em 09/03 para 39,1% em 13/03 na ferramenta FedWatch.

•O súbito aumento de preços do petróleo e a volatilidade pioraram o balanço de riscos para a inflação. Precificando os possíveis impactos locais, a expectativa para 2026 no Boletim Focus elevou-se significativamente de 3,91% em 06/03 para 4,10% em 13/03 (3,95% há 4 semanas).

•Com essa deterioração, a projeção de corte na pesquisa reduziu-se de -0,50 p.p. para -0,25 p.p. na Selic em março e a estimativa para o fechamento de 2026 elevou-se de 12,13% a.a. para 12,25% a.a..

•Ainda que os desdobramentos justifiquem um maior conservadorismo, fatores como a taxa de juros real em terreno extremamente contracionista, a desaceleração da atividade e a desinflação recente reforçam o entendimento de que a política monetária esteja bem-posicionada para o início de flexibilização em março, restando determinar o tamanho do corte.

•Ademais, a maior aversão na curva futura de juros elevou a taxa real de juros ex-ante de 1 ano em 0,62 p.p. na semana, para 9,84% a.a., patamar bem distante dos 5,00% a.a. considerado como neutro pelo Banco Central (BC). Com o estresse, o Tesouro Nacional (TN) cancelou os leilões tradicionais de títulos prefixados e indexados à inflação desta semana, além de anunciar a promoção de leilões de recompra.

•A despeito de que a atividade econômica tenha surpreendido positivamente em janeiro, com elevações na margem na indústria, varejo e serviços, prevalece a leitura de que se observa um movimento gradual de desaceleração que pode ser aprofundada com a crise internacional.

•O índice de atividade econômica do BC (IBC-Br) acumulado em 12 meses (12m) diminuiu de 2,46% a.a. em dez/25 para 2,26% a.a. (+3,69% a.a. em jan/25).

•Em linha, o índice de confiança do empresariado industrial (ICEI) manteve-se na zona que indica falta de confiança, ao recuar para 46,6 pts.. Com alta de 0,7 p.p., o percentual de consumidores na pesquisa da CNC que se consideram endividados alcançou 80,2% em fevereiro, o maior nível da série histórica, 3,8 p.p. acima do resultado verificado em fev/25.

•Na semana, além do cenário geopolítico, as atenções estarão voltadas para as decisões de política monetária no Brasil, EUA e Zona do Euro, no lado dos indicadores, as atenções se voltam para o monitor do PIB FGV e IGP-10. No front externo, destaques para a inflação ao produtor, produção industrial e dados do mercado imobiliário dos EUA, produção industrial e vendas no varejo na China e inflação ao consumidor na Zona do Euro.

Sim 0
não 0

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *