Pela divergência de posições, o Congresso dos EUA não conseguiu aprovar no prazo fiscal de 30/09 a lei de financiamento para o novo ano fiscal, levando à paralisação parcial das atividades de diversas agências federais (shutdown). Dessa forma, não foi divulgada uma série de dados do mercado de trabalho, como os números do payroll e dos pedidos semanais por auxílio desemprego.
Sem sinais claros nas divulgações para o mercado de trabalho dos institutos privados no comportamento do mercado de trabalho, a ferramenta FedWatch da CME ratificou a expectativa de 2 cortes de -0,25 p.p. ainda em 2025, com a probabilidade aumentando de 66,8% em 29/09 para 86,3% em 03/10. Com o baixo o impacto do shutdown, houve ganhos nos mercados acionários, desvalorização do Dollar Index e a valorização de uma cesta de moedas de países emergentes. Já os rendimentos dos treasuries recuaram em toda a extensão da curva, com o do T-Note de 10 anos cedendo -0,07 p.p. para 4,13% a.a..
Localmente, o real apreciou-se em 0,13%, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,34, enquanto o risco soberano medido pelo CDS de 5 anos retrocedeu -3,69 bps., para 134,5 bps..
Com a moderada desaceleração da atividade, o mercado de trabalho continua mostrando dinamismo, embora com sinais de acomodação. A taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua manteve-se em 5,6% no trimestre encerrado em agosto, com estabilidade dos salários no trimestre e expansão de 3,3% em termos interanuais. Por outro lado, o Caged indicou um total de 1,50 milhão de novos postos de trabalho acumulados até agosto de 2025, -14,1% abaixo do resultado no mesmo período de 2024.
Contrastando com os sinais mais fracos emitidos pela atividade econômica e com alguma surpresa, a produção industrial cresceu 0,8% a.m. em agosto, na série com ajuste sazonal. Todavia, a desaceleração na série do acumulado em 12 meses (12m) persistiu, com o indicador reduzindo-se de 1,9% a.a. em jul/25 para 1,6% a.a. e deixando um carrego estatístico de uma alta de 1,3% para 2025.
O déficit primário do setor público consolidado somou R$ -17,25 bilhões em agosto, alcançando R$ -23,1 bilhões em 12m (-0,19% do PIB), enquanto a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) elevou-se para 64,20% do PIB e a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) para 77,50% do PIB.
Na agenda, as atenções se voltam para o resultado do IPCA de setembro, além do IGP-DI e da balança comercial. No front externo, o impasse na votação do Congresso dos EUA segue no radar, assim como a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), confiança do consumidor, estoques no atacado, e crédito ao consumidor. Na Zona do Euro, saem as vendas no varejo.


