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Alguma sinalização em dezembro?

Como amplamente esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15,00% a.a. Entretanto, apesar de sustentar o diagnóstico que prescreve a permanência do nível corrente da taxa de juros por um período bastante prolongado, passou a sublinhar que essa condição seria suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta, o que praticamente elimina a possibilidade de que ocorra um aumento da taxa no curto prazo.

O impacto positivo da apreciação cambial e da desaceleração da atividade econômica na tendência recente de melhora na dinâmica inflacionária, em tese, proporcionaria espaço para que na reunião de dezembro fosse sinalizado o início da flexibilização monetária. Acrescenta-se ainda a essa tese, a taxa real de juros ex-ante em 9,61% a.a. em terreno fortemente contracionista quando comparado com a taxa neutra de 5,0% a.a. estimada pelo Banco Central (BC).

No Boletim Focus, a projeção é de que ocorra um corte de -0,25 p.p. na Selic em janeiro. Contudo, destoando da estimativa dos economistas, a manutenção da taxa básica de juros em janeiro segue majoritária no mercado de opções da B3, elevando-se na semana de 53,0% para 59,0%. Apesar de alguma queda, as expectativas inflacionárias ainda se mantêm distantes da meta de 3,0%, com o indicador para 2025 permanecendo em 4,55% e para 2026 em 4,20%. Com uma deflação de -0,03% em outubro, a alta anualizada do IGP-DI reduziu-se de 2,31% a.a. em set/25 para 0,73% a.a., com o índice de preços ao consumidor (IPC) desacelerando de 3,78% a.a. para 3,60% a.a..

Reforçando os sinais de perda de tração da atividade, a produção industrial recuou -0,4% em setembro, na série com ajuste sazonal. A alta na variação trimestral diminuiu na margem de 0,2% para de 0,1% no 3T25, com a expansão acumulada em 12 meses (12m) desacelerando de 1,6% a.a. em ago/25 para 1,5%.

A despeito da elevação das tarifas de importação dos EUA, o superávit comercial surpreendeu positivamente ao crescer US$ 7,0 bilhões em outubro, ficando -21,2% abaixo do volume acumulado em 12m em out/24 e respondendo à alta mais intensa nas importações.

Com a atratividade das aplicações em poupança perdendo espaço para outros instrumentos financeiros de renda fixa relativamente mais lucrativos, o saque líquido da caderneta de poupança somou R$ 9,65 bilhões em outubro, acumulando retiradas de R$ 88,12 bilhões em 2025. Paralelamente, as máximas históricas foram renovadas na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), sendo 79,5% das famílias endividadas e 30,5% com dívidas em atraso.

Com o discurso cauteloso do Federal Reserve (Fed), a ausência de dados oficiais da economia e uma possível retomada na compra de ativos no horizonte, a aposta majoritária do mercado, com uma probabilidade de 66,9%, é de que se tenha um corte de -0,25 p.p. na taxa dos Fed Funds em dezembro. Beneficiando-se do diferencial de juros, o real apresentou um desempenho superior à média de seus pares emergentes, apreciando-se em 0,80% na semana, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,33.

Na agenda, as atenções estarão centradas na ata do Copom, IPCA, IGP-10 e em dados de atividade do varejo e serviços, que devem reforçar os sinais de acomodação da economia no 3T25. Ainda, o BC divulgará o Relatório de Estabilidade Financeira, com os dados do 1S25. No front externo, enquanto persiste o shutdown levando à escassez de dados nos EUA, haverá a divulgação do PIB e produção industrial da Zona do Euro, além de dados econômicos da China, como vendas no varejo e produção industrial.

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