Skip to content

À espera dos sinais

Com as incertezas em nível elevado tornando mais complexa a avaliação dos desdobramentos da disputa tarifária no comércio internacional na dinâmica inflacionária e na evolução dos preços dos ativos financeiros, a Selic deverá ser mantida em 15,00% a.a. na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Embora não sejam desconsiderados eventuais ajustes, a pausa em terreno contracionista se faz necessária para avaliar se o nível atual é suficiente para ancorar as expectativas na meta. Dessa forma, o processo de redução na Selic só seria iniciado à medida que os sinais assegurarem essa convergência.

Reagindo ao movimento favorável na taxa de câmbio e ao comportamento da inflação corrente, o cenário para a inflação tem melhorado de forma gradual. Como resposta ao aperto monetário, algumas medidas qualitativas no IPCA-15 de julho revelaram-se menos pressionadas, reforçando o alívio na tendência de curto prazo. Assim, a alta da média dos 5 núcleos acompanhados pelo BC diminuiu de 5,08% a.a. em jun/25 para 5,05% a.a.. A inflação subjacente dos produtos industriais desacelerou de 3,63% a.a. para 3,56% a.a., da alimentação no domicílio de 12,88% a.a. para 12,56% a.a. e de serviços de 6,58% a.a. para 6,45% a.a..

Ainda que as estimativas estejam distantes de 3,0%, as expectativas inflacionárias no Boletim Focus vêm se reduzindo gradualmente e a estimativa para o horizonte relevante para a política monetária (2026) retornou para um nível abaixo do teto do intervalo de tolerância da meta. Ente os dias 18/07 e 25/07, as estimativas para o IPCA para 2025 diminuíram de 5,10% para 5,09%, da inflação suavizada para 12 meses (12m) à frente de 4,49% para 4,44% e para 2026 de 4,45% para 4,44%.

Na semana, o governo revisou para cima suas estimativas para a receita em 2025. Com isso, foi possível a redução do contingenciamento de recursos em R$ -20,7 bilhões para R$ 10,7 bilhões agora no 3º bimestre. Em linha com a perspectiva de cumprimento da meta fiscal para 2025, a arrecadação federal em junho atingiu R$ 1,425 trilhão no acumulado do ano, com uma alta real de 4,38% em relação ao mesmo período de 2024.

Os números das contas externas em junho continuaram mostrando uma relevante deterioração no balanço de pagamentos, refletindo, fundamentalmente, o impacto significativo da elevação do consumo nas importações, perda de força das exportações e o aumento do déficit na conta de serviços. Com o volume acumulado em 12m de Investimento Direto no País (IDP) em 3,14% do PIB insuficiente para financiar o déficit em conta corrente de 3,42% do PIB, aciona-se o alerta quanto a uma eventual necessidade de ajuste na absorção doméstica.

Na semana, as atenções se voltam para as reuniões de política monetária no Brasil e EUA. Na agenda de indicadores doméstico, saem o IGP-M, estatísticas fiscais, taxa de desemprego, produção industrial e sondagens de confiança da FGV. No front externo, com a agenda carregada, enfoque para o PIB, renda e gastos pessoais, deflator de gastos pessoais, mercado de trabalho, PMI manufatura e confiança do consumidor dos EUA, além de PIB, inflação e confiança do consumidor e PMI manufatura na Zona do Euro e PMI manufatura e serviços na China.

Sim 0
não 0

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *