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Emprego versus inflação

Como o evento econômico mais aguardado da semana, o discurso de Jerome Powell em Jackson Hole manifestou, no balanço de riscos, uma preocupação maior com o comportamento do emprego quando comparado com a inflação, propiciando uma leitura favorável à flexibilização monetária em setembro.

Apesar do mercado de trabalho estar próximo do pleno emprego, há um receio com os sinais de uma deterioração significativa mais à frente. Já o diagnóstico para a inflação é de que ela converge gradualmente à meta de 2% e as expectativas de longo prazo mostram-se ancoradas. Ademais, o impacto da elevação das tarifas é entendido como temporário, dado que o desaquecimento do mercado de trabalho mitiga o risco de formação de uma espiral inflacionária.

Com essa perspectiva, na semana, os rendimentos dos treasuries recuaram, o dólar manteve-se enfraquecido no mercado de moedas, as bolsas mostraram movimentos distintos e o petróleo subiu. O monitoramento da FedWatch do CME Group em 22/08 mostrava como majoritária a probabilidade de uma redução de -0,25 p.p. na taxa básica de juros em setembro, embora tenha se reduzido de 85,4% em 15/08 para 84,7%. Adicionalmente, elevaram-se as chances de um ciclo de cortes menos agressivo até o final de 2025.

Na semana que se adentra, os números sobre a renda e gastos pessoais darão novas pistas sobre a força do consumo nos EUA e o deflator de gastos pessoais (PCE) sobre os preços.

Continuando o processo gradual de ancoragem das expectativas inflacionárias, a mediana das projeções para o IPCA no Boletim Focus reduziu-se na semana de 4,95% para 4,86% para 2025, de 4,40% para 4,33% para 2026 e de 4,24% para 4,20% no 1T27, horizonte relevante para a política monetária. Diante dos sinais mais consistentes da desaceleração da atividade econômica, as projeções para a expansão do PIB para 2025 reduziram-se de 2,21% para 2,18% e para 2026 de 1,87% para 1,86%.

Do lado real, a expansão da massa salarial, da lucratividade das empresas e o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foram refletidas nos números da arrecadação federal, com um aumento real de 4,41% no acumulado do ano até julho, em relação ao mesmo período de 2024, alcançando R$ 1,68 trilhão. Por sua vez, com a deterioração na percepção sobre o mercado de trabalho e de crédito, a pesquisa de intenção de consumo mostrou uma maior cautela das famílias.

Ainda na semana, a agenda de indicadores traz dados do IPCA-15 e IGP-M de agosto, estatísticas fiscais, do setor externo, de crédito e do Caged, além das sondagens de confiança da FGV. No front externo, além do PCE, destaque para os pedidos de bens duráveis, confiança do consumidor, PIB e estoques no atacado dos EUA, e a confiança do consumidor na Zona do Euro.

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