Em função da deterioração adicional das expectativas de inflação, das projeções inflacionárias elevadas, da resiliência observada na atividade econômica e das pressões no mercado de trabalho, o Comitê de Política Monetária (Copom) deliberou pela elevação da taxa Selic em 1,00 p.p., fixando-a em 14,25% a.a.
O Copom avaliou que tal movimento seria consistente com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante (3T26), bem como com os objetivos de suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e de fomentar o pleno emprego. Considerando a persistência do cenário adverso e o elevado grau de incerteza, indicou a antecipação de um ajuste adicional, de menor magnitude, para a reunião subsequente.
No cenário de referência, construído a partir da trajetória da taxa de juros extraída da pesquisa Focus e da taxa de câmbio partindo de R$5,80/US$, as projeções de inflação acumulada em 4 trimestres situaram-se em 5,1% para 2025 e 3,9% para o 3T26. O balanço de riscos para a inflação permaneceu assimétrico, com predominância de riscos altistas. Entre eles: (i) a possibilidade de desancoragem mais persistente das expectativas de inflação; (ii) a maior resiliência da inflação de serviços; e (iii) a adoção de políticas econômicas, tanto no âmbito interno quanto externo, com impacto inflacionário superior ao antecipado, inclusive por meio de pressões adicionais sobre a taxa de câmbio.
Por outro lado, os riscos de baixa incluíam uma desaceleração mais intensa da atividade econômica doméstica e a possibilidade de um ambiente externo menos inflacionário para economias emergentes, em decorrência de choques negativos no comércio internacional e nas condições financeiras globais.
Em relação à evolução recente dos indicadores macroeconômicos domésticos desde a última reunião, realizada em 19/03/2025, os sinais permaneceram contraditórios. A atividade econômica apresentou uma moderação no seu ritmo de crescimento e o mercado de trabalho continuou exibindo sinais de aquecimento. Simultaneamente, observou-se o início de acomodação nas expectativas de inflação captadas pelo Boletim Focus: a expectativa suavizada para os próximos 12 meses recuou -0,2 p.p., para 4,9%, e a expectativa de inflação acumulada em 12 meses ao final do 3T26 passou de 4,51% para 4,49%, conforme dados de 25/04/2025.
No cenário de referência, apesar da elevada volatilidade no período, a taxa de câmbio tem testado níveis próximos de R$5,70/US$, e não foram observadas alterações significativas nas projeções para a trajetória da taxa Selic no Boletim Focus. No entanto, o preço do barril de petróleo tipo Brent registrou uma queda acumulada de -5,5% em dólares e -4,9% em reais até 25/04. Esses movimentos poderão contribuir na redução das projeções de inflação no cenário de referência.
Com o anúncio de novas tarifas de importação pelos EUA intensificando as tensões no comércio internacional, os mercados passaram a precificar um dólar estruturalmente mais fraco e uma desaceleração mais acentuada do crescimento global. Considerando-se que o impacto inflacionário das tarifas tenderia a ser concentrado no curto prazo, a conjugação dessas tendências poderia propiciar espaço para que os Bancos Centrais, sobretudo das economias avançadas, prosseguissem na flexibilização monetária.
Ainda que o balanço de riscos para a inflação tenha reduzido a assimetria, prevalecem ainda os riscos de alta, o que recomenda a manutenção de uma postura cautelosa e parcimoniosa na condução da política monetária. Nesse contexto, embora o Copom não tenha se comprometido formalmente com a magnitude dos ajustes futuros, considera-se provável que o Comitê eleve a taxa Selic em 0,50 p.p. nesta reunião, seguido de um ajuste residual de 0,25 p.p. na reunião de junho, encerrando o ciclo de alta em 15,00% a.a. Tal estratégia seria a mais adequada para mitigar a elevada volatilidade dos mercados em meio às incertezas crescentes.


