A possibilidade de que haja negociação nas tarifas impostas ao comércio internacional pelos EUA e a leitura positiva das mensagens dos membros do Federal Reserve (Fed) para a flexibilização monetária propiciaram uma posição mais favorável à tomada de risco. No entanto, os mercados futuros praticamente descartaram a possibilidade de uma redução na taxa de referência na próxima reunião de maio, assim, a probabilidade para manutenção da taxa dos Fed Funds entre 4,25% a.a. e 4,50% a.a. era de 89,6% em 25/04. Para o final de 2025, a aposta majoritária é de uma queda de -1,00 p.p., com chance de 35,1%.
Sem surpresa relevante, a taxa anualizada do IPCA-15 acelerou de 5,26% a.a. em mar/25 para 5,49% a.a. em abril, distanciando-se ainda mais do teto da meta de 4,50%. Reforçando o tamanho do desafio do Banco Central (BC), as métricas qualitativas como os números relativos aos serviços subjacentes, mais sensíveis ao ciclo econômico, aos bens industriais e alimentação no domicílio estão bem distantes das metas estabelecidas. No que tange às expectativas inflacionárias, após cair por 10 semanas consecutivas, a projeção para a inflação suavizada nos próximos 12 meses (12m) manteve-se estável em 4,95%.
Com o viés positivo para os ativos de riscos, o Real apresentou uma performance melhor em comparação com a média de seus pares, apreciando-se em 2,12% na semana, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,68. A sinalização de diretores do BC de que a taxa está em nível bastante restritivo e a incerteza elevada no cenário econômico impõe cautela nos próximos passos na condução da política monetária, levando a leitura de que o ciclo de alta da Selic será suavizado. Assim, o mercado de opções da B3 indicou um aumento na probabilidade de uma alta de 0,25 p.p. de 11,2% em 17/04 para 32,0% em 25/04.
Acompanhando também a queda na rentabilidade dos treasuries, as taxas de juros locais recuaram ao longo de toda a curva. Adicionalmente, a variação maior nos prazos mais longos reduziu a sua inclinação. Assim, a taxa real de juros ex-ante para 1 ano diminuiu em -0,18 p.p. na semana para 9,09% a.a., patamar ainda fortemente contracionista quando comparado à taxa neutra de 5,00% estimada pelo BC.
Contemplando a perspectiva de deterioração na dinâmica do comércio mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções de crescimento global para 2025 e 2026. A revisão decorreu, majoritariamente, da intensificação das tensões comerciais, provocada pela adoção de novas tarifas pelos EUA e pelas medidas retaliatórias implementadas.
Na agenda da semana, atenção aos números do mercado de trabalho (Pnad e Caged), das estatísticas fiscais e do IGP-M. No front externo, destaques para o PIB do 1T25 dos EUA, além do deflator de gastos com consumo (PCE), renda e gastos pessoais, payroll e confiança do consumidor. Na Zona do Euro, saem os dados de confiança do consumidor, PIB, PMI manufatura e inflação ao consumidor. Na China, enfoque no PMI manufatura e serviços.


