A inflação ainda pressionada, desancoragem nas expectativas e assimetria no balanço de riscos, apesar dos sinais mais claros de desaceleração da atividade, demandam uma restrição monetária maior e por mais tempo.
O IPCA-15 de setembro veio mais alto do que se esperava, crescendo 0,70% em setembro, com piora nos núcleos, aceleração nos serviços e mudança na trajetória da alimentação no domicílio, reforçando os riscos no curto prazo, reduzindo o otimismo com o processo de calibração.
Ajustando-se à surpresa, o IPCA para 2026 no Boletim Focus elevou-se em 0,07 p.p. na semana, para 4,99%. No cenário de referência do BC, a inflação alcança 5,2% ao fim de 2026, permanecendo por mais um trimestre acima do limite superior da meta, antes de recuar para 3,2% no 1T28 – atual horizonte relevante – e 3,1% no 2T28.
Com a atividade sentindo mais claramente os efeitos da política monetária restritiva, a projeção de alta do PIB que no ano já foi de 2,0% foi reduzida para 1,8%. Ademais, com o BC sinalizando uma moderação nos setores mais sensíveis aos juros e desaceleração do crédito, sobretudo nas operações com recursos livres e prazos mais longos.
Para esta semana, destaques para as divulgações da produção industrial, emprego (Pnad e Caged), IGP-M e números fiscais. No mercado externo, atenções aos dados do mercado de trabalho, PIB, confiança do consumidor e PCE dos EUA, e CPI para a Zona do Euro.


