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Sinais de desaceleração ganham força

A despeito do forte crescimento de 3,40% do PIB em 2024, o avanço de apenas 0,2% no 4T24 reforçou os sinais de que já esteja ocorrendo a desaceleração da atividade econômica como reflexo da política monetária mais restritiva. O ponto de atenção ficou para a queda trimestral de -1,0% no consumo das famílias. Contudo, a relativa surpresa ainda não teve efeito no Boletim Focus, de modo que as projeções para o crescimento do PIB mantiveram-se em 2,01% para 2025 e em 1,70% para 2026.

O movimento de ampliação da desancoragem das expectativas inflacionárias dá sinais de arrefecimento. Após a estabilidade na margem em 28/02, o Boletim Focus indicou uma elevação no IPCA esperado para 2025 de 5,65% para 5,68% em 07/03 (5,58% há 4 semanas), porém para 2026 permaneceu em 4,40% por 2 semanas consecutivas e para 2027 em 4,00% por 3 edições seguidas. Com queda pela 4ª vez consecutiva, a inflação suavizada para os próximos 12 meses saiu de 5,49% em 28/02 para 5,30% em 07/03.

Sem impacto relevante dos indicadores de atividade econômica, o movimento errático em relação à adoção de tarifas de importação por parte dos EUA produziu na semana um aumento na volatilidade dos preços dos ativos financeiros. Na Europa, o anúncio de €500 bilhões em investimentos em infraestrutura, além do aumento dos gastos com defesa pelo novo governo da Alemanha, produziu um aumento de 0,41 p.p. na semana da taxa de juros do título soberano de 30 anos, contribuindo para a apreciação do Euro que foi também beneficiada pelo discurso cauteloso do Banco Central Europeu (BCE) em relação à novos cortes na taxa básica de juros.

Descolando-se da dinâmica internacional, os ativos locais mostraram queda nos prêmios de riscos na semana. O risco soberano, medido pelo CDS de 5 anos, caiu -6,36 bps., para 174,20 bps., o Ibovespa avançou 1,82%, enquanto o real apreciou-se mais do que seus pares emergentes em 1,61%, com o dólar cotado a R$ 5,79. Refletindo uma desaceleração do crescimento do PIB no 4T24 mais forte do que a esperada, houve queda nas taxas de juros ao longo da curva, movimento em sentido contrário ao observado no exterior. Somando-se a queda na inflação esperada para os próximos 12 meses à redução de -0,25 p.p. na taxa de juros do swap DI prefixado de 360 dias, a taxa real de juros ex-ante fechou o período em 9,00% a.a., o que representou uma queda de -0,04 p.p. na semana.

Na semana que se adentra, atenção aos sinais emitidos na divulgação do IPCA de fevereiro, estatísticas fiscais, da produção industrial, varejo, serviços e os números do crédito. No front externo, destaque para a inflação ao consumidor e ao produtor dos EUA e a confiança do consumidor, além da produção industrial na Zona do Euro.

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