Skip to content

Sem precipitação

A semana inicia-se com grandes incógnitas, não só no que tange aos desdobramentos da crise no Oriente Médio, mas também quanto aos respectivos impactos da eventual elevação nas cotações do petróleo na inflação internacional e, por sua vez, na trajetória da política monetária a ser conduzida pelos bancos centrais.

Surpreendendo parte significativa do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 p.p. para 15,00% a.a.. Adicionalmente, antecipou a interrupção no aperto monetário, ainda que tenha enfatizado que seguirá vigilante e os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados, de modo que não hesitaria em retomar as altas na Selic. A linguagem conservadora do comunicado ajudaria a evitar que as expectativas nos mercados futuros antecipassem precipitadamente o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros.

Enfatizando que as incertezas em torno das perspectivas econômicas seguem elevadas, ainda que tenham diminuído em relação à última reunião, o Federal Reserve (Fed) manteve, como esperado, a taxa básica dos juros na faixa de 4,25% a 4,50% a.a.. As projeções sinalizaram para um cenário dividido em relação ao processo de flexibilização da política monetária.

O Boletim Focus continuou apontando uma melhora gradual nas expectativas inflacionárias, ainda que distantes do centro da meta. A projeção do IPCA para 2025 reduziu-se de 5,25% em 13/06 para 5,24% e a da inflação suavizada acumulada em 12 meses (12m) de 4,72% para 4,69%. Já para 2026, o horizonte relevante da política monetária, manteve-se no teto da meta de 4,50%.  A flexibilização monetária seria iniciada no 1º encontro do Copom em 2026, com a taxa reduzindo-se para 14,75% a.a. e alcançando 12,50% a.a. ao término de 2026 e 10,50% a.a. ao fim de 2027.

Em linha com a mensagem mais dura do Copom, a taxa real de juros ex-ante elevou-se, na semana, em 0,07 p.p. para 9,57% a.a., adentrando-se ainda mais em campo restritivo, quando comparado à taxa neutra de 5,00% a.a. estimada pelo BC.

Reforçando os sinais de alguma inflexão no processo inflacionário, o IGP-10 recuou -0,97% em junho, desacelerando de 7,54% a.a. em mai/25 para 5,62% a.a.. Corroborando a perspectiva de desaceleração gradual da atividade, o Monitor do PIB da FGV indicou queda de -0,4% na margem em abril, com a taxa acumulada em 12m passando de 3,5% em mar/25 para 3,1%.

Para a semana, os indicadores,  tanto no Brasil como nos EUA, têm potencial de reorientar as expectativas sobre crescimento, inflação e política monetária. Nos EUA, destaques para o deflator de gastos pessoais (PCE), leitura final do PIB do 1T25, PMI manufatura e serviços, pedidos por bens duráveis, dados do setor imobiliário e confiança do consumidor. Domesticamente, atenções à ata do Copom, Relatório de Política Monetária, IPCA-15, mercado de trabalho (Pnad e Caged), setor externo, IGP-M e as estatísticas do crédito. Ainda, serão divulgados o PMI manufatura e serviços e a confiança do consumidor na Zona do Euro.

Sim 0
não 0

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *