Para mitigar os ruídos produzidos, com a leitura de mercado de que a redução da Selic em -0,25 p.p. foi viabilizada pela extensão do horizonte relevante de dez/27 para mar/28, o BC esclareceu que a decisão não foi nesse sentido. Ademais, não foi uma forma de negar a trajetória de juros prevista no boletim Focus e no QPC, que contemplavam a redução em junho. A razão advém do fato de que a convergência da inflação no atual horizonte exigiria um choque na Selic que levaria a diversos trimestres com inflação abaixo da meta.
Transmitiu ainda uma mensagem dura, reconhecendo a assimetria altista no balanço de riscos, com o aquecimento no mercado de trabalho, o hiato do produto mais positivo, a deterioração na dinâmica inflacionária com desancoragem adicional nas expectativas, concluindo que os próximos passos dependerão dos dados.
O Boletim Focus e as opções digitais da B3 indicam um corte residual de -0,25 p.p. na Selic em agosto, para fechar 2026 em 14,00% a.a.. A forte queda no preço do petróleo reduziu os prêmios na curva futura de juros, de modo que a taxa real de ex-ante de 1 ano recuou -0,43 p.p. na semana, para 9,65% a.a., permanecendo, contudo, em nível bastante contracionista.
Na semana, destaques para as divulgações do IGP-M, produção industrial, estatísticas fiscais, Caged e balança comercial. Nos EUA, o payroll poderá indicar se o mercado de trabalho segue aquecido.