A ABBC – Associação Brasileira de Bancos espera um aumento de 0,25 p.p. na Selic na próxima reunião do Copom, que acontece entre 17 e 18 de setembro. A elevação colocaria a taxa básica de juros no patamar de 10,75% a. a.. Contudo, haveria elementos técnicos que justificassem a manutenção da taxa Selic, pois desde a última reunião não houve deterioração no balanço de riscos que alterasse expressivamente as projeções do cenário alternativo do Copom que fundamentaram a decisão de manutenção em julho.
As expectativas inflacionárias para 2025 e 2026 no Boletim Focus acomodaram-se, embora em níveis muito acima da meta. Mesmo que com volatilidade, recentemente, o real voltou a se apreciar e o preço do petróleo reduziu-se. Ademais, ainda que com surpresas nos indicadores de atividade, o sentimento é de que os fatores que impulsionaram a economia foram temporários. Como consequência, as projeções de crescimento do PIB no Boletim Focus indicam uma desaceleração para 2025, mitigando as pressões inflacionárias. Por fim, na frente fiscal, as previsões para a evolução das contas públicas não indicam alterações relevantes em relação a julho.
O diagnóstico é de que com o intuito de convergir mais tempestivamente a inflação à meta e de atenuar a volatilidade na curva de juros, que precifica um ciclo de aperto monetário, o Copom deverá dar início a um ciclo de aumentos que levem a Selic a fechar o ano em 11,25% a.a.. Contudo, atribuir-se exclusivamente à desancoragem das expectativas não seria apropriado, dado que no momento do início da flexibilização monetária, as projeções já estavam razoavelmente acima da meta.


