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Pré-Copom: Junho/2025 – Possível alta residual de 0,25 p.p.

Em maio, enxergando uma menor assimetria no balanço de riscos para a inflação, ainda que mais elevados, o Copom elevou a Selic em 0,50 p.p. para 14,75% a.a.. Contudo, não emitiu sinalização acerca dos próximos passos, pois a combinação entre o elevado grau de incerteza, principalmente por causa do cenário externo desafiador, e a necessidade de se aguardar os impactos defasados do ciclo do aperto monetário demandaria uma cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação. 

Dentre os fatores altistas, o Copom elencou: (i) a persistente desancoragem das expectativas inflacionárias; (ii) a maior resiliência da inflação de serviços em virtude de um hiato do produto mais positivo; e (iii) a conjunção de políticas econômicas que tenham impacto inflacionário, como a depreciação da taxa de câmbio. Como fatores deflacionários foram indicadas: (i) a desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada; (ii) a desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) a redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Atualizando-se o cenário para inflação, houve uma evolução positiva nos fatores de riscos. Ocorreu uma ligeira melhoria nas expectativas inflacionárias do Boletim Focus, com a projeção: de 2025 recuando de 5,53% para 5,44%; da inflação acumulada em 12 meses suavizada diminuindo de 4,97% para 4,77%; e de 2026 mantendo-se no teto da meta de 4,50% (horizonte relevante). Apesar do recente alívio em alguns indicadores na inflação corrente, dado o dinamismo do mercado de trabalho, o grupo serviços ainda se mantém em patamar incompatível com a meta. 

Já no que tange à evolução das atividades doméstica e global, os riscos de uma desaceleração mais súbita permanecem baixos. Por fim, a trajetória nos preços das commodities é favorável ao processo desinflacionário.

No cenário de referência, não houve no período mudanças expressivas nas projeções para a trajetória da taxa Selic no Boletim Focus. Contudo, com uma elevação de cerca de 0,4 p.p. na taxa real de juros ex-ante que permanece em terreno contracionista.  Ademais, verificou-se um aumento em reais de aproximadamente 6% da cotação do barril de petróleo tipo Brent. Adicionalmente, aprofundou-se a apreciação da taxa de câmbio, com o US$ saindo de R$ 5,70 para R$ 5,60. 

Neste sentido, ao incorporar-se a atualização dos dados, certamente haverá uma melhoria nas projeções do cenário de referência do Copom que em maio indicava uma inflação anualizada de 4,8% para 2025 e 3,6% para 2026. Todavia, com as estimativas ainda permanecendo distantes da meta e a necessidade de flexibilidade e cautela para as decisões de política monetária, e de modo a evitar uma precipitada antecipação do início do ciclo de cortes, entendemos como oportuno mais um aumento residual de 0,25 p.p. na taxa Selic, encerrando o ciclo de elevação em 15,00% a.a.. Essa estratégia se apresenta para garantir a convergência da inflação à meta.

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