Funcionalidade ainda em discussão prevê a possibilidade de vincular parte dos recebimentos futuros via Pix a operações de crédito

O Pix em Garantia é um produto em fase de estudo que prevê a utilização de recebimentos futuros via Pix como garantia em operações de crédito. A proposta poderá abrir caminho para um novo mercado de recebíveis para o setor produtivo, permitindo que empresas utilizem parte dos valores que esperam receber para negociar financiamentos com instituições financeiras.
Seu modelo permanece em análise de grupos técnicos no setor financeiro e sua implementação não está assegurada.
A ABBC acompanha esse processo por meio da Comissão de Meios e Arranjos de Pagamento, reunindo contribuições das instituições associadas e promovendo o debate sobre alternativas que possam, caso venham a ser implementadas, ampliar as possibilidades de financiamento para empresas.
Núclea e CERC estudam solução para viabilizar o modelo
A Núclea e a CERC vêm trabalhando em um desenho de solução que possa apoiar uma eventual implementação do Pix em Garantia. A iniciativa considera como registrar os recebíveis, identificar os valores vinculados a uma operação de crédito e direcionar os recursos conforme os direitos constituídos.
Imagine uma loja que recebe cerca de R$ 80 mil por mês via Pix há seis meses. Atualmente, esse histórico pode ajudar uma instituição financeira a avaliar a capacidade de geração de receitas do negócio e sua possibilidade de pagamento. Em um eventual modelo de Pix em Garantia, parte dos pagamentos que a loja ainda vai receber poderia ser formalmente vinculada a um financiamento, oferecendo uma garantia adicional à operação.
Na proposta apresentada, o estabelecimento negociaria o crédito com o financiador e registraria a unidade de recebíveis de Pix (UR Pix) em uma registradora. Quando um novo pagamento fosse recebido, consultas às bases previstas no modelo permitiriam identificar se há uma parcela vinculada à operação. O valor correspondente seria direcionado ao titular do direito, enquanto os demais recursos permaneceriam disponíveis para o estabelecimento, conforme as regras que vierem a ser definidas.
A iniciativa busca aproveitar a regularidade dos recebimentos para ampliar as alternativas de financiamento às empresas. Para o setor produtivo, a possibilidade poderia criar oportunidades de acesso ao crédito; para as instituições financeiras, poderia oferecer mecanismos adicionais para estruturar operações com garantia.
Nos grupos de trabalho dedicados a Pix e duplicatas, as discussões também abordaram a integração do novo registro com os ativos financeiros existentes e os mecanismos necessários para assegurar a correta vinculação dos recebíveis às operações.
Modelo segue em discussão
O tema foi debatido em plenária do Fórum Pix em 2025. Em material apresentado em março de 2026, o Banco Central incluiu a funcionalidade na agenda de 2027 em diante, sinalizando que o assunto permanece em avaliação.
A inclusão na agenda não representa aprovação definitiva nem garante que a funcionalidade será implementada. O modelo ainda depende da evolução das discussões e da definição de aspectos operacionais e regulatórios.


