Reiterando a mensagem da necessidade de se manter uma postura perseverante, firme e serena em relação à política monetária, a Ata do Comitê de Política Monetária (Copom) destacou o novo estágio para a política monetária com a manutenção do nível corrente da Selic por um período bastante prolongado para que possa ser avaliado se os impactos acumulados da forte elevação dos juros serão suficientes para a convergência da inflação à meta.
O Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC) revisou a sua avaliação acerca do hiato do produto, mostrando uma economia mais sobreaquecida do que se esperava, com o hiato estimado para o 2T25 elevando-se de 0,5% em jun/25 para 0,7% e ficando em 0,5% para o 3T25. A mudança refletiu fundamentalmente as condições do mercado de trabalho, e uma abertura de ociosidade menor no futuro. Assim, o indicador reduzir-se-á ao longo dos próximos trimestres até alcançar -0,5% no 1T27.
As projeções no Boletim Focus continuaram apontando para o início da flexibilização monetária na 1ª reunião do Copom em 2026, com um corte de -0,25 p.p. na Selic. O indicador alcançaria 12,25% a.a. ao final de 2026 (12,50% há 4 semanas) e 10,50% a.a. ao término de 2027 (10,50% a.a.).
Alinhando-se à comunicação mais cautelosa do BC, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano elevou-se em 0,10 p.p. na semana, adentrando ainda mais em terreno contracionista quando comparada à taxa neutra de 5,0% a.a. estimada pelo BC.
Ainda que o resultado do IPCA-15 de setembro tenha mostrado, na margem, surpresas positivas, como a desaceleração no grupo de serviços, nas medidas de núcleo e no índice de difusão, o cenário inflacionário continua desafiador. Saindo de uma deflação de -0,14% em ago/25 para uma alta de 0,48% em setembro, a taxa anualizada ampliou-se de 4,95% a.a. para 5,32% a.a.. Todavia, o processo gradativo de desinflação tende a continuar respondendo ao aperto das condições financeiras, à apreciação cambial e ao alívio nos preços das commodities.
Diante da desaceleração gradual da atividade, na comparação interanual, a arrecadação federal recuou -1,50% a.a. em termos reais, para R$ 208,79 bilhões em agosto. O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 4º bimestre indicou que não deve haver problemas para o cumprimento da meta fiscal em 2025. Contudo, em termos prospectivos, há preocupação com o efeito do cenário de desaceleração econômica, menor dinamismo da arrecadação e continuidade do forte crescimento dos gastos obrigatórios.
Nas contas externas, persistem as preocupações com o crescimento do déficit em transações correntes, que em 12 meses (12m) é de US$ -76,23 bilhões (-3,51% do PIB). Com a entrada líquida de investimentos diretos no país (IDP) superando pelo 2º mês o saldo negativo.
Para a semana que se adentra, as atenções se voltam para o resultado da indústria, mercado de trabalho, estatísticas fiscais e emplacamento de veículos. No front externo, destaque para os dados do mercado de trabalho nos EUA, além de PMI manufatura e serviços e da confiança do consumidor. Na Zona do Euro e na China, destaques também para os PMIs.


