Entendendo como uma estratégia compatível com a convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, atualmente o 1T27, o Comitê de Política Monetária (Copom) cumpriu a sinalização de interrupção no processo de aperto monetário e manteve a taxa básica de juros em 15,00% a.a.. No que tange ao ambiente externo, o diagnóstico é que se tornou mais adverso e incerto em função da conjuntura e da política econômica nos EUA. Já no cenário doméstico, foram observados uma moderação no crescimento, a manutenção do dinamismo no mercado de trabalho e os principais indicadores da inflação acima da meta.
O Copom reforçou ainda a mensagem de que a Selic deverá permanecer em patamar restritivo por período bastante prolongado para assegurar a convergência à meta, não descartando novas elevações se a conjuntura demandar. Com esse conservadorismo na comunicação, mitiga-se a probabilidade de que o mercado futuro de juros antecipe, prematuramente, o início de um ciclo de cortes na taxa básica de juros. Respondendo a essa mensagem, a taxa de juros ex-ante elevou-se em 0,01 p.p. na semana (+0,33 p.p. em julho), para 9,83% a.a., adentrando ainda mais em campo restritivo quando comparada com a taxa neutra de 5,00% a.a. estimada pelo Banco Central (BC).
Ainda que distantes do centro da meta, o Boletim Focus continuou mostrando uma melhora gradual nas expectativas inflacionárias. A projeção para o IPCA em 2025 recuou de 5,09% em 25/07 para 5,07% em 01/08, a da inflação suavizada para 12 meses (12m) de 4,44% para 4,39% e a para 2026 de 4,44% para 4,43%. Para o 1T27, a projeção da inflação acumulada em 4 trimestres em 01/08 era de 4,28%, ante uma estimativa de 3,4% do Copom. Com deflação na margem, a variação do IGP-M desacelerou de 4,39% a.a. em jun/25 para 2,96% a.a. em julho e o IPC reduziu-se de 4,32% a.a. para 4,28% a.a..
O mercado de trabalho doméstico continua aquecido, com a taxa de desocupação alcançando 5,8% no trimestre findo em junho, o menor nível da série histórica, e os salários reais crescendo 1,1% no período. Por outro lado, a produção industrial mostrou arrefecimento com o crescimento diminuindo de 0,2% no 1T25 para 0,1% no 2T25 e deixando um carrego estatístico de -0,1% para o 3T25.
Contando com a divulgação de dados mais fracos da atividade econômica nos EUA, principalmente no mercado de trabalho, a escalada das tensões comerciais e a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), a semana exibiu uma elevação na aversão ao risco, refletida nas quedas nas principais bolsas internacionais, retração nos retornos das treasuries e perda de força do dólar no mercado global de câmbio. Reagindo ao balanço das informações, o mercado passou a apostar não só na antecipação, mas também em um maior orçamento para a flexibilização monetária nos EUA.
Para a semana que se adentra, as atenções continuam focadas na guerra comercial e no anúncio de possíveis medidas de suporte do governo para os setores afetados pelas tarifas de importação. Na agenda, serão divulgados a ata do Copom, Caged, balança comercial, IGP-DI e produção e venda de veículos. No front externo, saem os estoques no atacado, crédito ao consumidor e PMI serviços dos EUA, além da inflação ao consumidor e produtor, balança comercial e PMI serviços na China e vendas no varejo e PMI serviços na Zona do Euro.


