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O Forward Guidance deverá ser cumprido

Em dezembro, com a deterioração no cenário de inflação, com elevação nas expectativas e projeções de inflação, combinado à abrupta depreciação cambial, inflação corrente mais elevada, dinamismo acima do esperado na atividade econômica e a maior abertura do hiato do produto, o Comitê de Política Monetária (Copom) diagnosticou a necessidade de um aperto adicional na política monetária. Adicionalmente, confirmando-se o cenário esperado, indicou ajustes de mesma magnitude nas reuniões de janeiro e março de 2025. Com o Banco Central (BC) reiterando que a régua seria elevada para qualquer mudança nessa orientação e não havendo mudança drástica no balanço de riscos, o Copom deverá cumprir, na reunião de quarta-feira, o forward guidance sinalizado, elevando a Selic em 1,0 p.p para 13,25% a.a..

Apesar de ocorrer a menor elevação para o mês de janeiro da série histórica iniciada em 1994, a redução do IPCA-15 de 0,34% em dez/24 para 0,11% em janeiro, alcançando o teto da meta, contou fundamentalmente com o impacto do bônus de Itaipu no preço da energia.  Entretanto, a maioria dos números qualitativos continuou exibindo uma evolução desfavorável e incompatível com a convergência da inflação à meta de 3,0%. Com a deterioração das medidas, ampliou-se a desancoragem das expectativas no Focus, a despeito da provável desaceleração da atividade econômica, da trajetória mais restritiva para a taxa Selic e da redução da pressão na taxa de câmbio. No horizonte relevante para a política monetária, a estimativa para o IPCA acumulado em 12 meses no final do 2T26 saiu de 4,46% em 17/01 para 4,59% em 24/01 (4,36% há 4 semanas).

Apesar de ter recuado em -0,35 p.p. na semana, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano ficou em 9,03% a.a., patamar fortemente contracionista, quando comparado à taxa neutra de 5,00% a.a. estimada pelo BC. Alinhando-se à comunicação do Copom, o mercado de opções da B3 atribuía, em 24/01, a probabilidade de 97,0% de um aumento de 1,0 p.p. na Selic em janeiro e de 80,0% para a reunião de março.

A despeito da deterioração, o déficit nas contas externas continua sendo amplamente financiado pelo fluxo de Investimentos Diretos no País (IDP). Intensificado também pelo bom desempenho nas cotações das commodities metálicas e alimentícias, o índice que calcula a variação de uma cesta de moedas de países emergentes em relação ao dólar subiu 2,02% na semana. Com um desempenho superior à média de seus pares emergentes, o real apreciou-se em 2,72% no período e 4,21% no ano, com o dólar fechando cotado a R$ 5,91.

Também na próxima 4ª feira, o Federal Reserve (Fed) deverá manter a taxa básica de juros na faixa atual entre 4,25% a.a. a 4,50% a.a… No monitoramento da FedWatch do CME Group, a chance de manutenção da Fed Funds, nesta semana, era de 97,9% em 24/01 e de 72,4% para a reunião de março. Por sua vez, em um contexto de atividade estagnada, o Banco Central Europeu (BCE) deve prosseguir com o ciclo de flexibilização monetária, e reduzir os juros em -0,25 p.p. nesta semana.

Para a semana que se adentra, além das reuniões de política monetária, as atenções recaem para os dados de emprego (Caged e Pnad) e das contas públicas em dezembro, além do IGP-M de janeiro. Lá fora, serão divulgados a prévia do PIB do 4T24 nos EUA e na Zona do Euro, além do deflator de gastos de consumo (PCE) e renda e despesas pessoais dos EUA e a confiança do consumidor nos EUA e Zona do Euro.

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