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Modo Pânico

Apesar da divulgação de importantes indicadores na economia internacional, os protagonistas foram o anúncio das tarifas de importação pelos EUA e as represálias pela China. Como consequência disseminou-se o pânico no mercado, com os investidores buscando ativos de maior segurança, o que elevou a volatilidade no mercado e os prêmios de risco dos ativos financeiros.

Com os receios dos impactos das disputas tarifárias na economia, a partir do anúncio das medidas em 02/04, as bolsas dos EUA caíram em: -10,02% na Nasdaq (-19,28% no ano); -9,08% no S&P 500 (-13,73% no ano); e -7,86% no Dow Jones (-9,94% no ano).

Mesmo com os dados da atividade econômica e do mercado de trabalho divulgados na semana reforçando o cenário base de maior parcimônia do Federal Reserve (Fed) na evolução da política monetária, os receios de uma eventual recessão abriram espaço para uma maior redução da taxa básica de juros. Assim, a probabilidade de um corte de -0,25 p.p. na reunião de maio subiu de 14,0% em 31/03 para 33,3% em 04/04 na plataforma Fedwatch.

Na semana, o retorno do T-Bonds de 10 anos reduziu-se em -0,26 p.p. para 4,01% a.a.. O dólar elevou-se em 0,99% em relação a uma cesta de moedas emergentes. Com um desempenho pior do que a média dos seus pares, o real depreciou-se em 1,41%, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,84, o maior patamar desde 10/03/25. Porém, no acumulado do ano, o real ainda apresenta um desempenho mais positivo em relação ao índice das moedas emergentes.

Apostando em uma política monetária mais acomodatícia pelo Fed, e acompanhando o movimento externo na taxa de juros, houve uma redução nas taxas ao longo da curva futura, de modo que a taxa real de juros ex-ante de 1 ano recuou -0,42 p.p. na semana para 9,13% a.a., ainda acima da taxa neutra de 5,00% a.a. estimada pelo Banco Central (BC).

Em linha, o mercado de opções da B3 passou a considerar a possibilidade de um aperto monetário menos intenso pelo BC. Paralelamente à deterioração na aversão ao risco, a probabilidade de uma alta de 0,50 p.p. no encontro de maio reduziu-se de 63,5% em 28/03 para 58,5% em 04/04, enquanto observou-se um aumento de 5,5% para 19,5% na chance de uma elevação de 0,25 p.p. e de 2,8% para 12,0% para a manutenção da Selic em 14,25% a.a..

Ratificando a perspectiva de uma perda de tração na atividade, a produção industrial recuou -0,17% na margem em fevereiro, com desaceleração na produção acumulada em 12 meses de 2,91% a.a. em jan/25 para 2,60% e mostrando um carrego estatístico de -0,53% para o 1T25. Após uma elevação mensal de 1,00% em fev/25, o IGP-DI recuou -0,50% em março, sugerindo uma menor pressão nos preços do varejo. Ainda que desancoradas em relação às metas, as expectativas inflacionárias exibem indícios de acomodação. A mediana da inflação para 2025 no Boletim Focus manteve-se em 5,65% e a projeção da inflação suavizada para os próximos 12 meses reduziu-se pela 8ª edição consecutiva, saindo de 5,15% para 5,07%.

Para esta semana, o foco principal estará voltado para os desdobramentos das discussões acerca da evolução da política internacional, mas também será dada  atenção para as divulgações dos dados da produção de veículos, varejo, serviços, estatísticas fiscais, IPCA e o IBC-Br. No front externo, ressaltam-se as vendas no varejo na Zona do Euro, CPI e PPI na China, e o crédito ao consumidor, estoques no atacado, CPI, PPI e confiança do consumidor nos EUA, além da ata da última reunião do Fomc/Fed.

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