Ajustando-se aos recentes dados do IBC-Br e do Monitor do PIB da FGV, que sancionaram o entendimento de que o crescimento da economia em 2025 será mais forte do que o antecipado, a projeção no Boletim Focus para a expansão do PIB no ano elevou-se de forma significativa, saindo de uma alta de 2,02% em 16/05 para 2,14% em 23/05.
Por outro lado, por meio de bloqueios e contingenciamentos, o governo federal anunciou uma contenção de R$ 31,3 bilhões nas despesas. Adicionalmente, foram anunciadas elevações significativas nas alíquotas para o IOF em seguros, crédito às empresas e câmbio. No que tange ao mercado de crédito, a forte elevação das alíquotas para as empresas terá impacto negativo na produtividade da economia, podendo ainda afetar a trajetória da inadimplência, principalmente a das empresas de menor porte.
Ademais, com o aumento do imposto nas transações cambiais, o real apresentou na semana um desempenho abaixo da média de seus pares emergentes. Porém, a retomada da isenção de investimentos no exterior feitos por fundos brasileiros mitigou a leitura negativa sobre uma eventual ação de controle de capital.
Com a compreensão de que a majoração das alíquotas do IOF terá impacto considerável na demanda doméstica e na evolução da política monetária, as apostas na manutenção da taxa Selic na reunião de junho ganharam força no mercado de opções do Copom da B3, saindo de uma probabilidade de 62,0% em 09/05 para 72,0% em 16/05. Entretanto, o Focus manteve a leitura de que a Selic feche 2025 no atual patamar de 14,75% a.a., com a flexibilização iniciando-se na 1ª reunião de política monetária em 2026, com a taxa reduzindo-se a 14,50% a.a..
Na sequência do rebaixamento do rating de crédito dos EUA pela Moody’s, houve recrudescimento das preocupações com o montante da perda arrecadatória provocada por um projeto de lei do governo, com desdobramentos importantes na precificação dos ativos de risco, que se refletiu na elevação do rendimento dos títulos do governo. Assim, com um cenário mais incerto, o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa dos EUA frente a uma cesta de 6 moedas de países desenvolvidos, recuou em -1,96% em relação a 16/05.
Para essa semana, as atenções se voltam, além da divulgação do PIB do 1T25, para o IPCA-15, IGP-M, mercado de trabalho (Caged e Pnad), estatísticas fiscais e de crédito e as sondagens de confiança da FGV. No front externo, enfoque na agenda dos EUA, tais como o deflator de gastos com consumo pessoal (PCE), renda e gastos pessoais, pedidos de bens duráveis, ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), estoques no atacado, PIB e confiança do consumidor. Na China saem o PMI manufatura e serviços e na Zona do Euro, a confiança do consumidor.


