Com as estimativas de inflação ainda permanecendo distantes da meta e a necessidade de flexibilidade e cautela para as decisões de política monetária, e de modo a evitar uma precipitada antecipação do início do ciclo de cortes, é provável que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova uma alta de 0,25 p.p. na taxa Selic na próxima 4ª feira.
No mercado de opções da B3, a aposta majoritária é desta alta residual, embora a probabilidade tenha diminuído de 69,0% em 06/06 para 56,5% em 13/06. Ainda que a aposta majoritária nos derivativos seja de uma elevação residual de 0,25 p.p., a projeção no Boletim Focus é de que a Selic se mantenha em 14,75% a.a. até o fechamento de 2025.
Refletindo a recente apreciação cambial, a queda dos preços das commodities no mercado internacional e alguma melhora das condições de oferta dos alimentos, o IPCA desacelerou de 0,43% em abr/25 para 0,26% em maio. Em 12 meses (12m), a taxa recuou de 5,53% a.a. em abr/25 para 5,32% a.a.. Contudo, as expectativas inflacionárias no Focus continuam se reduzindo de forma bem gradual, as projeções do IPCA de 2025 diminuíram de 5,44% para 5,25% (5,50% há 4 semanas). Ademais, a expectativa na semana para a inflação suavizada para os próximos 12m caiu de 4,77% para 4,72%, enquanto no horizonte relevante para a política monetária, a estimativa para 2026 manteve-se pela 5ª semana consecutiva no teto da meta de 4,50%.
Ainda que de forma modesta, os indicadores de atividade sinalizam alguma perda de força da demanda doméstica no início do 2T25. Em abril, as vendas no varejo recuaram -0,39% no conceito restrito e -1,93% no ampliado, enquanto o setor de serviços cresceu apenas 0,19%. Já o índice de atividade econômica (IBC-Br) do Banco Central aumentou somente 0,16% no mês.
No que tange ao endividamento das famílias, a pesquisa da CNC apontou que o percentual de famílias endividadas alcançou 78,2% (+0,6 p.p. na margem), com o sentimento das contas em atraso ficando em 29,5% (+0,4 p.p.) e as sem condições de pagar em 12,5% dos respondentes (+0,1 p.p.).
Com o recrudescimento da crise no Oriente Médio expondo riscos mais amplos ao fornecimento de petróleo bruto e gás natural da região, houve na semana uma deterioração no apetite ao risco dos mercados. Como fator compensatório, ocorreu um avanço das negociações bilaterais entre os EUA e a China, incluindo discussões sobre tarifas, semicondutores e matérias-primas. Ao mesmo tempo, foi reforçada a possibilidade de que o Federal Reserve (Fed) inicie um ciclo de corte de juros ainda em 2025. Assim, no FedWatch, a possiblidade de redução de -0,25 p.p. dos Fed Funds em setembro ampliou-se ligeiramente de 53,1% em 09/06 para 56,8% em 13/06. Para o fechamento de 2025, a visão predominante continuou sendo de a taxa terminar na faixa de 3,75% a 4,00% a.a., com 39,9% de chance (39,7% em 09/06).
Na semana, além das decisões de política monetária no Brasil e EUA, as atenções se voltam à possibilidade de o Congresso derrubar os decretos que aumentaram as alíquotas do IOF. Dentre os indicadores, serão divulgados o IGP-10 de junho e o Monitor do PIB da FGV de abril. No exterior, saem as vendas no varejo, produção industrial e números do setor imobiliário dos EUA, além da inflação e confiança do consumidor na Zona do Euro e taxa de juros prime na China.


