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Flexibilidade e cautela

A manutenção das opções de política monetária em aberto e os cuidados com o cenário repleto de incertezas deram contorno a precificação dos ativos no mercado financeiro internacional. Apesar de a inflação corrente ter permitido ao Banco Central Europeu (BCE) reduzir as taxas básicas de juros. Contudo, como o BCE manifestou o seu conforto para aguardar a evolução dos dados na definição dos próximos passos, a leitura preponderante de mercado passou a ser de que os juros serão mantidos até ao final de 2025.

Após a surpresa provocada pelo elevado número de empregos gerados e da elevação dos salários em maio, houve uma pequena diminuição na chance de algum corte em setembro na taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed), com a probabilidade de uma redução de 0,50 p.p. até o final de 2025 reduzindo-se de 55,7% em 30/05 para 51,8% em 06/06. Alinhando-se a perspectiva de que a flexibilização monetária nos EUA será mais cuidadosa, houve na semana uma elevação na rentabilidade dos treasuries.

Em consonância com o mercado internacional, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano encerrou a semana em 9,57% a.a., com uma elevação de 0,19 p.p. no período. Porém, se o Boletim Focus ainda aponta a manutenção da Selic em 14,75% a.a. até o final de 2025, a desaceleração mais lenta da atividade e a mensagem de flexibilidade e cautela do Banco Central (BC) na avaliação dos próximos passos foram entendidas como um sinal para uma elevação residual na Selic. Assim, as apostas no mercado de opções da B3 em um aumento de 0,25 p.p. na reunião do Copom da próxima semana avançaram de 32,5% em 30/05 para 69,0% em 06/06.

No que tange à inflação, as expectativas no Focus reduzem-se de forma bem gradual, com a projeção no horizonte relevante para a política monetária permanecendo no teto da meta de 4,50%. Como alento, o IGP-DI registrou uma deflação de -0,85% em maio, com a desaceleração na margem de 8,11% a.a. para 6,27% a.a.. Adicionalmente, como indicador antecedente para a inflação, o índice de commodities do BC (IC-Br) registrou 4 meses consecutivos de queda, acumulando no período uma redução de -9,1%.

Mesmo com a Moody’s alterando a perspectiva do rating de positiva para estável, a demanda por títulos soberanos alcançou US$ 10 bilhões, com os títulos vendidos a uma taxa de juros mais baixa do que se esperava. Assim, tirando proveito do aumento nas taxas futuras de juros e da queda da volatilidade da taxa de câmbio, a despeito das incertezas provocadas pela medida provisória do IOF, o real teve uma performance acima da média de seus pares emergentes, apreciando-se em 2,85% na semana, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,56.

Apesar da perspectiva negativa para o comércio internacional, as exportações vêm mantendo um desempenho favorável, o grande destaque para a redução do superávit comercial tem sido a evolução das importações que reflete o aquecimento da demanda interna, de modo que no acumulado do ano em relação a 2024 houve uma redução de -0,9% nas exportações e aumento de 9,2% nas importações. Reforçando os sinais de acomodação do setor industrial, o crescimento anual da produção industrial física acumulada em 12 meses (12m) desacelerou de 3,1% a.a. em mar/25 para 2,4% a.a. em abril.

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação do IPCA de maio e as pesquisas de comércio e serviços de abril. No front externo, serão divulgados a inflação ao consumidor (CPI) e a inflação ao produtor (PPI), estoques no atacado e confiança do consumidor dos EUA, além da produção industrial na Zona do Euro.

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