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Espaço menor para flexibilização

•Com a contribuição dos dados positivos para o mercado de trabalho nos EUA, a semana foi positiva para o apetite ao risco, ainda que marcada por elevada volatilidade.

•Contudo, a leitura é de que o espaço para a retomada da flexibilização monetária reduziu-se. Pela ferramenta FedWatch, a probabilidade de manutenção dos Fed Funds no atual patamar até o final do ano elevou-se de 72,4% em 27/03 para 76,3% em 02/04 (13,5% em 06/03).

•No período, observaram-se ganhos nos principais mercados acionários, apreciação das moedas emergentes e devolução relevante nos prêmios de risco ao longo das curvas de juros.

•Favorecido pelo fluxo de estrangeiros e o peso das commodities no mercado doméstico, o real apreciou-se 1,56% na semana, com o dólar cotado a R$ 5,16 (+6,16% no ano).

•Apesar da retração de -0,37 p.p. no período para 9,48% a.a., a taxa real de juros ex-ante de 1 ano permaneceu em patamar elevado, considerando a taxa neutra de 5,00% a.a. estimada pelo Banco Central (BC).

•Com alta pela 4ª semana consecutiva, a projeção para o IPCA de 2026, no Boletim Focus, aumentou de 4,31% em 27/03 para 4,36% em 02/04 (3,91% há 4 semanas), ao passo que a inflação acumulada em 4 trimestres no horizonte relevante (3T27) ampliou-se de 3,67% para 3,69% (3,71% há 4 semanas).

•Do lado real, a produção industrial surpreendeu positivamente ao crescer 0,9% em fevereiro, sem, contudo, alterar a leitura de baixo dinamismo, especialmente na indústria de transformação. A taxa acumulada em 12 meses (12m) desacelerou de 0,5% a.a. em jan/26 para 0,3% a.a. (+2,6% a.a. em fev/25).

•O mercado formal de trabalho apresentou sinais de acomodação, ainda que com geração líquida positiva de 255 mil postos em fevereiro (-42,0% ante fev/25) e o crescimento dos ganhos salariais.

•Do lado fiscal, o setor público consolidado registrou déficit de R$ -16,4 bilhões em fevereiro, com o acumulado em 12m elevando-se de R$ -55,4 bilhões em jan/26 para R$ -52,8 bilhões (0,41% do PIB).

•O IGP-M voltou ao campo positivo em março (+0,52%), pressionado por commodities energéticas e agropecuárias, com destaque para a reversão nos preços de derivados de petróleo. Em 12m, a deflação saiu de -2,67% a.a. em fev/26 para -1,83% a.a. (+8,58% a.a. em mar/25).

•As sondagens de confiança da FGV indicaram heterogeneidade setorial, com melhora em construção civil e consumo, estabilidade na indústria e deterioração em comércio e serviços, sugerindo um ambiente doméstico marcado por incerteza e assimetria de recuperação, em meio à deterioração das expectativas inflacionárias e o aperto nas condições financeiras.

•Na semana, as atenções se voltam para os números do IPCA, IGP-DI, veículos e balança comercial. No front externo, a agenda dos EUA é intensa, com destaques para o PCE, renda e gastos pessoais, PIB, inflação e confiança do consumidor e a ata da última reunião do Federal Reserve. Na Zona do Euro, enfoque nas vendas no varejo e PMI Serviços e na China, nas inflações ao consumidor e ao produtor.

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