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Desinflação e desaquecimento

A leitura dos últimos dados do IPCA evidenciou uma dinâmica inflacionária mais favorável do que a esperada no início de 2025. A combinação de uma taxa de câmbio mais apreciada com um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para a redução das inflações de bens industrializados e de alimentos. Entretanto, a inflação de serviços e as expectativas inflacionárias de longo prazo ainda se mostram resilientes, refletindo a continuidade do bom dinamismo do mercado de trabalho.

Com o desaquecimento mais evidente da atividade, gradualmente, vão se acumulando os indícios que fundamentariam uma futura flexibilização monetária. Com uma alta de apenas 0,09% em outubro, a inflação pelo IPCA reduziu-se de 5,17% a.a. em set/25 para 4,68% a.a.. No Boletim Focus, as projeções para o indicador para 2025 diminuiu de 4,55% em 07/11 para 4,46% em 14/11, ficando dentro do intervalo de tolerância da meta. Em linha, a taxa anualizada do IGP-10 desacelerou de 1,60% a.a. em out/25 para 0,34% a.a. em novembro.

A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe novidades importantes em relação aos próximos passos, destacando-se: (i) uma maior convicção de que a taxa de juros corrente é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta; (ii) uma trajetória de moderação da atividade econômica; e (iii) a incorporação de uma estimativa preliminar do impacto da ampliação da isenção do imposto de renda para pessoas físicas no cenário de referência.

Dessa forma, a conjuntura abre a possibilidade de que o ciclo de afrouxamento monetário seja iniciado em janeiro, conforme indica o Boletim Focus. No mercado de opções do Copom na B3, mesmo com a manutenção em 15,00% a.a. mostrando-se como a aposta majoritária, a probabilidade de uma redução de -0,25 p.p. em janeiro aumentou de 24,00% em 07/11 para 35,50% em 13/11 e a de um corte de -0,50 p.p. de 13,50% para 26,00%.

Ratificando o desaquecimento da atividade econômica, verificado nos indicadores da indústria e do comércio, apesar da resiliência no setor de serviços, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou -0,24% em setembro, na série com ajuste sazonal. Com a variação trimestral saindo de uma alta de 0,28% no 2T25 para uma queda de -0,89% no 3T25. A expansão do acumulado em 12 meses (12m) reduziu-se de 3,27% a.a. em ago/25 para 3,00% a.a. em setembro.

Paralelamente, o volume das vendas no varejo restrito caiu 0,27% em setembro, com a taxa em 12m recuando de 2,17% para 2,11% e deixando um carrego de 1,39% para 2025. Já com uma desaceleração bem moderada, o setor de serviços cresceu 0,60%, devendo contribuir positivamente para o PIB do 3T25. A série do volume acumulado em 12m acelerou de 3,05% a.a. em ago/25 para 3,08% a.a. em setembro.

No front externo, a semana foi marcada pelo encerramento do shutdown nos EUA e pela expectativa de retomada das divulgações de indicadores. Na ferramenta FedWatch, a probabilidade de manutenção, em dezembro, da taxa básica de juros entre 3,75% a.a. e 4,00% a.a. aumentou de 33,1% em 07/11 para 55,6% em 14/11 (0,0% em 17/10).

Na agenda da semana, as atenções se voltam para o monitor do PIB-FGV e a reunião do Comef. No exterior, será divulgada a ata do Federal Reserve (Fed), os números do mercado de trabalho, PMI manufatura e serviços e a confiança do consumidor dos EUA, além da inflação ao consumidor, confiança do consumidor e PMI manufatura e serviços na Zona do Euro.

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