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Desaquecimento ratificado

A semana foi marcada pela divulgação de dados de atividade de agosto, que ratificaram o cenário de desaquecimento gradual da economia, como desdobramento da taxa de juros contracionista. Mesmo avançando 0,40% em agosto, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) deixou um carregamento estatístico de -0,77% para o 3T25 e uma desaceleração na expansão do acumulado em 12 meses (12m) de 3,56% a.a. em jul/25 para 3,24% a.a.

Ao crescer pelo 7º mês consecutivo, o setor de serviços ainda mostra um bom desempenho. Contudo, a alta no volume de serviços diminuiu na margem de 0,24% em jul/25 para 0,12% em agosto. Apesar de interromper uma sequência de 4 quedas mensais, persistiu a tendência de baixa na taxa de elevação do acumulado de 12m no varejo restrito, com o indicador diminuindo de 2,52% a.a. em jul/25 para 2,17% a.a. em agosto, com o número do comércio ampliado recuando de 1,13% para 0,72%. Ainda em agosto, o Monitor do PIB-FGV mostrou crescimento de 0,7% na margem, mas com a expansão acumulada em 12m arrefecendo de 2,9% a.a. para 2,7% a.a..

O cenário, que combina a política monetária contracionista com a apreciação cambial e a desaceleração gradual da atividade, tem favorecido na redução das expectativas inflacionárias, ainda que de forma mais lenta para os prazos mais longos.  Assim, a projeção do IPCA para 2025 caiu na semana de 4,72% para 4,70% (4,83% há 4 semanas) e a inflação suavizada para 12m à frente recuou de 4,13% para 4,12% (4,36% há 4 semanas). Já no horizonte relevante (1T27), o indicador reduziu-se de 4,17% para 4,14% (4,17% há 4 semanas).

Em linha com o processo desinflacionário, a inflação medida pelo IGP-10 diminuiu de 0,21% em set/25 para 0,08% em outubro, com a variação anualizada reduzindo-se fortemente de 2,88% a.a. para 1,60% a.a..

Apesar de manter-se abaixo da linha divisória de 50 pts. desde jan/25, demonstrando falta de confiança, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da CNI cresceu 1,0 pt. em outubro, para 47,2 pts., alavancado por uma melhor perspectiva para os próximos 6 meses.

Mesmo com os efeitos do shutdown agravados pela escalada na disputa comercial entre os EUA e a China e pelas preocupações com a saúde do setor financeiro geradas pelo reporte de elevadas baixas a prejuízo em alguns bancos regionais, houve ao final da semana um relativo alívio na aversão ao risco. Contribuíram, para esse movimento, uma distensão na geopolítica e a mensagem do presidente do Federal Reserve (Fed), mais inclinada à flexibilização monetária, sinalizando o final do processo de redução do balanço da autoridade monetária.

Na agenda, destaque para a divulgação do IPCA-15 de outubro, que pode trazer novos sinais positivos sobre o processo de desinflação. O indicador deve mostrar algum alívio na energia elétrica e queda nos preços dos alimentos ainda sob efeito da apreciação cambial. Ainda, serão divulgadas as estatísticas do setor externo e da arrecadação federal. No cenário externo, atenções aos dados de atividade na China. Nos EUA, a agenda segue comprometida pela paralização do governo. Ainda assim, estão previstas as divulgações da inflação ao consumidor (CPI), índices de confiança PMI manufatura e serviços, além de dados do setor imobiliário e de confiança do consumidor. Na Zona do Euro, destaques para a confiança do consumidor e o PMI manufatura e serviços.

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