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Cresce a aposta de corte da Selic em dezembro

Como esperado, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reforçou a sua postura conservadora. Repetindo as principais mensagens do comunicado da decisão que manteve a Selic em 15% a.a., reiterou que a taxa deverá ser mantida em patamar restritivo por um período “bastante prolongado”, pelo menos enquanto o quadro inflacionário se mantiver adverso, o cenário externo incerto e o mercado de trabalho pressionado.

A novidade adveio da avaliação de que o mercado de crédito apresenta uma moderação mais nítida do que a atividade, com um recuo nas concessões de crédito livre, a elevação nas taxas de juros e de inadimplência e a ampliação do fluxo de crédito negativo para pessoas físicas, com o total de pagamentos superando o volume de dívida contratada.

A dinâmica benigna dos preços no atacado e na inflação corrente, a apreciação do real e a desaceleração da atividade ajudam na gradual redução das expectativas, de forma que a projeção do IPCA para 2025 diminuiu pela 11ª semana sucessiva, saindo de 5,07% para 5,05% (5,17% há 4 semanas). Adicionalmente, a inflação de 12 meses (12m) à frente recuou de 4,39% para 4,35% (4,65% há 4 semanas) e a projeção para 2026 cedeu de 4,43% para 4,41% (4,50% há 4 semanas).

O IGP-DI registrou uma deflação de -0,07% em julho, com a taxa anualizada reduzindo-se de 3,83% a.a. em jun/25 para 2,91% a.a.. Em linha com o cenário favorável para inflação, o índice de commodities do BC (IC-Br) caiu pelo 6º mês consecutivo, saindo de -1,35% em jun/25 para -0,54% em julho, reduzindo a alta de 5,81% a.a. para 3,95% a.a..

Mesmo com as incertezas no mercado global produzidas pela disputa comercial, a semana foi positiva para a tomada de risco, com o enfraquecimento do dólar no mercado de câmbio internacional e pela antecipação e perspectiva de um orçamento maior nos cortes na taxa dos Fed Funds. Com um desempenho superior à média de seus pares emergentes, o real apreciou-se em 1,94% na semana, com o dólar encerrando o período cotado a R$ 5,43.

Em meio à apreciação do real, os recentes sinais de arrefecimento da atividade econômica doméstica, cresceram as apostas no afrouxamento monetário, sustentadas pela percepção de que o atual nível de juros segue em patamar bastante restritivo. Apesar de que a probabilidade de manutenção de juros em 15,0% a.a. em dez/25, no mercado de opções do Copom da B3, seja a aposta majoritária, o mercado passou a considerar as chances de 17,9% de uma redução de -0,25 p.p. e de 12,7% de um corte de -0,50 p.p..

Desacelerando-se bem lentamente, o Caged reportou a criação líquida de 166,62 mil postos de trabalho em junho, aquém do esperado, mas com gerações de saldos positivos em todos os grandes setores. Impulsionado por exportações e importações em volumes recordes, o superávit da balança comercial elevou-se na margem de U$ 5,7 bilhões em jun/25 para U$ 7,1 bilhões em julho, acumulando um saldo de US$ 62,1 bilhões em 12m. Nos próximos meses, a expectativa é de que ocorram superávits menores, por conta da elevação das tarifas de importações dos EUA.

Na semana que se adentra, as atenções se voltam para o IPCA de julho, além dos dados de atividade como o volume de serviços e vendas no varejo. No front externo, destaque para a inflação ao consumidor e ao produtor dos EUA, produção industrial, vendas no varejo e confiança do consumidor. Na China, enfoque nos números da indústria e varejo e na Zona do Euro, na produção industrial e no PIB do 2T25.

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