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CONECTA ABBC 2025 debate tendências estratégicas no mercado financeiro

CONECTA ABBC 2025, realizado no Teatro CIEE, em São Paulo

A ABBC – Associação Brasileira de Bancos realizou nesta sexta-feira, 29, um encontro com grandes especialistas do mercado financeiro na 4ª edição do CONECTA ABBC. O debate teve a participação de executivos, representantes de órgãos reguladores, especialistas e líderes do setor, abrangendo inovação, negócios e legislação.

“Nossa programação aprofundou ainda mais a discussão sobre as tendências que estão transformando o mercado financeiro”, afirma Leandro Vilain, CEO da ABBC. “A Associação é um espaço de pluralidade e colaboração estratégica, dedicada à inovação e ao futuro desse segmento”, destaca.

CEO da ABBC, Leandro Vilain, em discurso durante abertura do CONECTA ABBC 2025 (Fotos: Leo Muniz e Thiago Lages/ABBC Divulgação)

Na agenda desta edição do CONECTA, estiveram em pauta tendências que redefinem a indústria, como regulação da inteligência artificial, economia tokenizada, Open Finance, Pix, Banking as a Service e os caminhos para novos modelos de crédito.

Também na oportunidade, a ABBC anunciou que participará do Lift Lab da FENASBAC (Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central), em conjunto com a BBChain – uma das maiores provedoras de blockchain da América Latina – para estudar o uso da CCB tokenizada, utilizando uma stablecoin como liquidação por meio da estrutura de PSTI.

Drex e a economia tokenizada

Glauber Ferreira, diretor técnico da ABBC e diretor de Risco e Controladoria do Banco BRP; André Carneiro, CEO da BBChain; Daniel Maeda, superintendente jurídico da B3; e Fabio Araujo, coordenador do Drex e consultor do Departamento de Operações Bancárias e de Sistemas de Pagamentos do Banco Central (Fotos: Leo Muniz e Thiago Lages/ABBC Divulgação)

No primeiro painel, Glauber Ferreira, diretor técnico da ABBC e diretor de Risco e Controladoria do Banco BRP, André Carneiro, CEO da BBChain, Daniel Maeda, superintendente jurídico da B3, e Fabio Araujo, coordenador do Drex e consultor do Departamento de Operações Bancárias e de Sistemas de Pagamentos do Banco Central, destacaram as fases de desenvolvimento do Drex e da economia tokenizada no Brasil.

Ferreira explicou que o mercado tem encarado todo esse processo como um grande aprendizado nos últimos anos. Araujo concordou, reforçando que o processo de inovação do mercado financeiro está caminhando para que a população também enxergue valor na economia tokenizada como, por exemplo, oportunidades melhores de investimentos e acesso a novos produtos e serviços.

Maeda relembrou que o mercado de criptomoedas já está bem maduro no Brasil, inclusive com fundos listados, mas as stablecoins e a tokenização ainda são um desafio. No entanto, segundo ele, trata-se de uma oportunidade positiva, porque propõem um olhar com alto potencial disruptivo para o país.

Já Carneiro aproveitou a oportunidade para destacar a importância dos testes do Drex, especialmente por meio do Consórcio ABBC – formado por 16 participantes, entre eles bancos que são concorrentes, mas se uniram em torno do propósito de inovar. Ferreira reforçou que, dentro do grupo, há um anseio dos participantes em buscar soluções que promovam maior inclusão financeira no Brasil.

Open Finance e Pix potencializando a experiência de pagamentos e a gestão financeira

Euricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC; Ana Carla Abrão Costa, diretora-presidente do Open Finance no Brasil; Breno Lobo, chefe-adjunto de Unidade do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central do Brasil; e Marcos Lima Monteiro, conselheiro da ABBC e do Open Finance e vice-presidente de Operações e Controles do Banco Safra. (Fotos: Leo Muniz e Thiago Lages/ABBC Divulgação)

O segundo painel do Conecta ABBC também marcou a celebração dos cinco anos do Open Finance no Brasil. Participaram da discussão Ana Carla Abrão Costa, diretora-presidente do Open Finance no Brasil, Marcos Lima Monteiro, conselheiro da ABBC e do Open Finance e vice-presidente de Operações e Controles do Banco Safra, e Breno Lobo, chefe-adjunto de Unidade do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central do Brasil. A mediação foi conduzida por Euricion Murari, diretor de Inovação e Serviços da ABBC.

O debate destacou o caráter histórico da iniciativa, lembrando o marco que o Open Finance representou para o compartilhamento de dados bancários no país. Ana Carla Abrão ressaltou que instituições financeiras que ainda não aderiram ao sistema estão em desvantagem competitiva e aproveitou a ocasião para lançar, em nome da Associação Open Finance Brasil, a campanha para promover o conhecimento sobre a ferramenta e conscientizar a população sobre seus benefícios.

Breno Lobo trouxe a perspectiva dos clientes finais, destacando avanços em serviços, inovação, acesso a linhas de crédito mais vantajosas e ofertas personalizadas. Em relação aos próximos passos das agendas do Pix e do Open Finance, afirmou que muita coisa está por vir em 2026, incluindo o Pix por aproximação offline e aprimoramentos no próprio sistema.

Marcos Monteiro destacou que os maiores benefícios do Open Finance tendem a ser sentidos pelas pessoas físicas, especialmente com serviços mais personalizados e melhorias na concessão de crédito. Ao ser questionado sobre os impactos para pessoas jurídicas, ressaltou que as empresas, em geral, mantêm relacionamento com poucos bancos e enfrentam desafios tanto na aprovação e no custo do crédito quanto na gestão dos fluxos financeiros – pontos em que o Open Finance poderá auxiliar de forma significativa.

A regulação da IA e seus impactos

Marino Aguiar, diretor técnico da ABBC e sócio CTO da XP Inc.; Leandro Vilain, CEO da ABBC; Luiz Fernando Marrey Moncau, gerente de Políticas Públicas e Assuntos Governamentais do Google; e Renato Opice Blum, sócio-fundador e chairman do Opice Blum (Fotos: Leo Muniz e Thiago Lages/ABBC Divulgação)

No terceiro painel do evento, houve diversas abordagens, especialmente em relação à regulação da inteligência artificial. Na oportunidade, Marino Aguiar, diretor técnico da ABBC e sócio e CTO da XP Inc., realizou a mediação, enquanto Leandro Vilain, CEO da ABBC, Luiz Fernando Marrey Moncau, gerente de Políticas Públicas e Assuntos Governamentais do Google, e Renato Opice Blum, sócio-fundador e chairman do Opice Blum, foram os painelistas.

Vilain começou reforçando que a IA, já tão presente no dia a dia das pessoas, pode ser notadamente observada dentro do sistema bancário, em frentes como o atendimento, a experiência do cliente e a análise de perfil para crédito, incluindo leitura de dados e documentos. Também defendeu a necessidade da regulação da IA, para não haver mau uso e para proteção do consumidor. Porém, falou sobre uma regulação não tão rígida, permitindo espaço para a inovação. Para ele, o equilíbrio é o ponto-chave. 

Entre outras questões em debate, Opice Blum aproveitou para defender o uso da inteligência artificial de forma responsável e com governança. Paralelamente, ele foi enfático ao pontuar que diante das mudanças tão rápidas da tecnologia, o que as pessoas e setores fazem e observam hoje, daqui a poucos anos, será muito diferente, considerando o leque de transformações e oportunidades.

Em uma das falas, Moncau comentou a relação da IA e a melhora de outros processos em uma série de setores, além de tecnologia e financeiro. Como exemplo, falou do emprego da IA junto ao setor agrícola, atentando que já existem mecanismos que identificam, por exemplo, locais onde o defensivo agrícola é necessário, poupando gastos ao mesmo tempo que contamina menos os alimentos.

Prêmio IDEIA

Os vencedores do Prêmio IDEIA ABBC 2025 (Fotos: Leo Muniz e Thiago Lages/ABBC Divulgação)

O evento também contou com a premiação dos vencedores do 8º Prêmio IDEIA ABBC — que reconhece soluções inovadoras das associadas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi o grande vencedor, com projeto batizado de “Jud-e”, criado para lidar com processos judiciais. É uma solução de IA que atua como “time digital” para apoiar analistas na busca, triagem e análise de informações críticas. A ferramenta absorve tarefas repetitivas, enquanto auxilia o analista no controle das decisões sensíveis, garantindo transparência e confiança. Além de acelerar fluxos complexos, o projeto gerou economia de R$ 4 milhões.

Homenagem sobre inovação

Leandro Vilain, CEO da ABBC; Fabio Araujo, consultor do Departamento de Operações Bancárias e de Sistemas de Pagamentos e coordenador do Drex do Banco Central; e Cassio von Gal, presidente do Conselho de Administração da ABBC (Fotos: Leo Muniz e Thiago Lages/ABBC Divulgação)

O consultor do Departamento de Operações Bancárias e de Sistemas de Pagamentos e coordenador do Drex do Banco Central (BC), Fabio Araujo, foi homenageado como “Personalidade do Ano em Inovação no Mercado Financeiro”. 

A distinção é concedida pelo Conselho de Administração da ABBC a personalidades que impulsionam a modernização do setor financeiro. A homenagem reforça o reconhecimento da ABBC a profissionais que contribuem de forma relevante para a construção de um Sistema Financeiro Nacional mais competitivo, moderno e eficiente.

“Gostaria de agradecer esse reconhecimento, que surge pelos esforços do Banco Central na difusão do uso da tecnologia para ampliação de acesso ao mercado e inclusão financeira no país. Agradeço, também, as equipes do BC, que trabalharam nesse projeto ao longo desses anos e ao mercado, que tem colaborado de forma essencial com nosso trabalho”, disse o executivo.

Interessados também podem acessar os painéis do primeiro dia, realizados on-line, no canal da ABBC no Youtube e no LinkedIn.  Confira como foi a agenda completa desta edição em www.conectaabbc.com.br.  


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