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Comércio internacional e o alívio nos prêmios de risco

Acreditando que o cenário mais adverso e menos incerto conferia uma maior visibilidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou novos ajustes de 1,0 p.p. na Meta Selic para as reuniões de janeiro e março. Assim, na semana passada, o Copom elevou a Meta Selic em 1,00 p.p. para 13,25% a.a..

Ademais, houve alterações no foco dos fatores de risco desinflacionário para: (i) a desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada; e (ii) um cenário menos inflacionário para economias emergentes decorrente de choques sobre o comércio internacional e sobre as condições financeiras globais.

Contudo, com as incertezas quanto aos rumos do comércio internacional, parece não existir dúvidas de que o cenário externo se tornou-se mais incerto, podendo inclusive ameaçar a continuidade do alívio nos prêmios de risco. Neste sentido, seria desejável que a Ata detalhasse a visão e o entendimento do Copom do cenário internacional e dos possíveis canais de transmissão para a dinâmica inflacionária de uma eventual guerra tarifária no mercado global.

Em sentido contrário ao índice que mede a evolução das moedas emergentes e com 8 altas diárias consecutivas, o real manteve a sua trajetória de recuperação frente ao dólar, apreciando-se em 1,17% na semana e 5,33% em janeiro, com o dólar fechando cotado a R$ 5,84. Em direção semelhante, o mercado futuro de juros apresentou uma redução importante nos prêmios de risco com a taxa de juros de 1 ano reduzindo-se em -0,44 p.p. no mês para 14,95% a.a. e a de 5 anos em -0,92 p.p. para 14,69% a.a..

Reiterando o cenário profundamente desafiador, mesmo com o alívio nos prêmios de risco dos ativos locais e manutenção da taxa real de juros ex-ante em patamar fortemente contracionista, persistiu o movimento de desancoragem das expectativas. No Boletim Focus, a estimativa para o aumento do IPCA para 2025 aumentou de 5,50% em 24/01 para 5,51% em 31/01 e para 2026 de 4,22% para 4,28%, enquanto para o final do 3T26, horizonte relevante para a política monetária, subiu de 4,40% em 24/01 para 4,43% em 31/01.

Considerando-se apenas os gastos dentro do arcabouço fiscal, o déficit primário ficou em R$ -11,03 bilhões (-0,09% do PIB), valor este dentro da margem de tolerância de R$ 28,75 bilhões estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Abaixo das expectativas de mercado, o déficit primário total em 2024 foi de R$ -43,00 bilhões (-0,36% do PIB). Com a venda de US$ 33 bilhões das reservas internacionais em dezembro, houve uma queda na margem de -1,65 p.p. na Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) que fechou o ano em 76,07% do PIB, acumulando, porém, uma alta de 2,24 p.p. em 12 meses.

Com algum sinal de perda de força, o mercado de trabalho encerrou 2024 de forma bem positiva, com uma expressiva criação de empregos formais, redução na taxa de desemprego, forte elevação do contingente ocupado e recuperação da renda real. A taxa média anual de desocupação ficou em 6,6%, a menor da série histórica iniciada em 2012, representando uma queda de -1,2 p.p. frente ao número de 2023. Já os rendimentos cresceram, em média, 4,4% no ano. Por fim, a continuidade da alta dos juros e do avanço da inflação tiveram impacto nos índices de confiança da FGV de janeiro.

Para essa semana, atenção ainda aos números da indústria, que deve apontar retração no 4T24, aumentando os sinais de desaquecimento da economia no fim de 2024, além dos resultados da balança comercial, veículos e o IGP-DI. Lá fora, enfoque para os dados do mercado de trabalho nos EUA, PMI manufatura e serviços e confiança do consumidor, além do PMI manufatura e serviços na Zona do Euro, vendas no varejo e inflação ao consumidor.

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