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Avanços na segunda fase do piloto Drex 

Em fevereiro, a Comissão de Tecnologia e Inovação recebeu uma atualização importante da consultoria BIP sobre os avanços do Consórcio ABBC na segunda fase do piloto Drex, uma iniciativa do Banco Central para testar o uso de tecnologias de registro distribuído (DLT) no sistema financeiro brasileiro. Durante a apresentação, o consultor líder da BIP, Thiago Moraes, detalhou os principais progressos do consórcio e o futuro da iniciativa, destacando as novas soluções de privacidade e os casos de uso que estão sendo testados nesta etapa.

A fase 2 do piloto Drex marca um importante avanço em relação à primeira fase, que focou principalmente em testar a privacidade e a viabilidade da tokenização de ativos no sistema financeiro. Uma das novidades mais aguardadas são os testes da ZKP Nova, uma solução desenvolvida pela Microsoft para aumentar a privacidade nas transações digitais. Segundo Moraes, o Consórcio ABBC já conseguiu testar a solução em um ambiente de sandbox. Embora outras soluções de privacidade possam ser inseridas ao longo do processo, a ZKP Nova parece promissora para garantir transações mais seguras e confidenciais no sistema financeiro digital.

Além das inovações em termos de privacidade, a segunda fase do piloto Drex também oferece maior autonomia para os participantes. Nela, será possível que estes emitam tokens e realizem o deploy de smart contracts – atribuições restritas ao regulador durante a primeira fase – para o teste dos casos de uso selecionados. “Os participantes enviaram seus casos de uso para análise do regulador, e os casos aprovados terão autonomia para emissão de novos tokens e a utilização de contratos inteligentes na rede”, explicou Moraes.

O Consórcio ABBC, composto por instituições financeiras e empresas de tecnologia, propôs dois casos de uso para a segunda fase do piloto Drex, ambos aprovados pelo Banco Central. O primeiro caso envolve o crédito colateralizado com título público federal tokenizado. Neste cenário, as instituições financeiras poderão usar títulos públicos federais como garantia para empréstimos, permitindo condições mais vantajosas para os tomadores. Essa operação será realizada de forma digital, com os títulos tokenizados sendo “travados” como garantia até o cumprimento das condições do empréstimo. O consórcio está desenvolvendo este caso de uso em parceria com o Banco ABC e o Mercado Bitcoin, empresas que, juntas, buscam criar uma solução robusta para o mercado financeiro.

O segundo caso de uso proposto pelo Consórcio ABBC envolve transações com cédulas de crédito bancário (CCB), um ativo amplamente utilizado no mercado. A tokenização da CCB permitirá que esses instrumentos financeiros sejam negociados de forma mais ágil e transparente no mercado secundário, com liquidação e compensação financeira no vencimento. O desenvolvimento deste caso de uso está sendo realizado exclusivamente pelo Consórcio ABBC, que possui reuniões periódicas com o Banco Central para acompanhar o progresso e garantir a conformidade regulatória.

De acordo com a BIP, a estruturação do modelo de crédito colateralizado e das transações com CCB segue uma metodologia detalhada, com fluxos de negócios bem definidos. No caso do crédito colateralizado com título público federal, os fluxos incluem a concessão do empréstimo, o repagamento da dívida e, em caso de inadimplência, a execução da garantia. Para a CCB, os fluxos envolvem a emissão do token, sua negociação no mercado secundário e a liquidação no vencimento. “Estamos agora na etapa de desenvolvimento dos contratos inteligentes que vão automatizar esses fluxos, garantindo que as transações ocorram de forma segura e eficiente”, afirmou o consultor.

O trabalho do Consórcio ABBC no piloto Drex não se limita apenas a testes técnicos; também envolve a definição de processos de negócios. O desenvolvimento dos contratos inteligentes, ou “smart contracts”, para os casos de uso propostos está em andamento, com os consórcios participantes trabalhando juntos para garantir que todas as partes do sistema funcionem de maneira integrada e segura. Em breve, espera-se que os primeiros testes práticos com as novas soluções de crédito e tokenização sejam realizados, proporcionando uma visão mais clara do futuro das finanças digitais no Brasil.

Thiago finalizou sua apresentação destacando o compromisso do Consórcio ABBC em seguir as diretrizes do Banco Central, ao mesmo tempo em que busca inovar e oferecer soluções que possam transformar o sistema financeiro. O consultor também ressaltou que as reuniões regulares com o Banco Central, realizadas a cada três semanas, são fundamentais para garantir que o desenvolvimento do piloto esteja alinhado com as expectativas regulatórias e as necessidades do mercado.

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