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Aumento do diferencial de juros favorece o câmbio

Mesmo com a inflação ainda permanecendo em patamar elevado, mas dando maior peso à deterioração do mercado de trabalho, com a desaceleração na geração de vagas e no aumento da taxa de desemprego, o Comitê de Política Monetária (FOMC) do Federal Reserve (Fed) retomou o ciclo de afrouxamento monetário, reduzindo a taxa de juros de referência em -0,25 p.p., para a faixa entre 4,00% a.a. e 4,25% a.a., alinhando-se às expectativas de mercado. Adicionalmente, o gráfico de pontos, que consolida as projeções dos membros do FOMC para a taxa básica de juros nos EUA, sinalizou para mais 2 cortes de -0,25 p.p., em outubro e dezembro.

Observando uma moderação no crescimento conforme o esperado, mas com dinamismo no mercado de trabalho e os principais indicadores de inflação mantendo-se acima da meta, e entendendo como uma estratégia compatível para a convergência, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15,00% a.a., reforçando a avaliação de que a taxa de juros seguirá restritiva por um período prolongado, até que estejam presentes as condições para cortes que dependerão do balanço de riscos para a inflação. Com esse conservadorismo na comunicação, procura-se mitigar a probabilidade de que o mercado futuro de juros antecipe, prematuramente, o início de um ciclo de cortes na taxa básica de juros. A grande novidade foi a retirada na comunicação da menção à “continuação na interrupção no ciclo de alta de juros” que dava espaço para a sua retomada.

No Boletim Focus, as projeções para a retomada do processo de afrouxamento monetário mantiveram-se para a 1ª reunião de 2026, com um corte de -0,25 p.p.. No que tange às expectativas inflacionárias, persistiu o distanciamento em relação às metas, com o indicador para 2025 mantendo-se em 4,83%, reduzindo-se de 4,30% para 4,29% para 2026 e permanecendo em 4,17% para o horizonte relevante (1T27). Com uma queda mais significativa da inflação esperada para os próximos 12 meses (12m) em relação à taxa para o período no mercado futuro de juros, a taxa real de juros ex-ante elevou-se em 0,02 p.p. na semana, para 9,56% a.a., adentrando ainda mais em terreno contracionista quando comparada à taxa neutra de 5,0% a.a. estimada pelo Banco Central (BC).

Beneficiando-se do aumento no diferencial de juros, o real apresentou um desempenho superior à média de seus pares emergentes, apreciando-se em 0,56% na semana, com o dólar encerrando cotado a R$ 5,32, chegando a alcançar R$ 5,30 no período.

Reiterando os sinais de desaceleração gradual da economia, o Monitor do PIB-FGV recuou -0,6% na margem em julho, na série com ajuste sazonal. Por outro lado, os números do mercado de trabalho continuaram sólidos, mostrando crescimento do emprego formal e dos salários. A taxa de desocupação atingiu o novo piso histórico de 5,6% no trimestre findo em julho, mostrando recuos de -1,0 p.p. no trimestre e de -1,2 p.p. ante jul/24, ao mesmo tempo em que os salários cresceram 1,3% no trimestre e 3,8% na comparação interanual.

Na semana, as atenções estarão centradas na ata do Copom e no Relatório de Política Monetária, em busca de explicações para a manutenção nas projeções de inflação, apesar da recente apreciação cambial. Dentre os indicadores, serão divulgados o IPCA-15 de setembro, as estatísticas do setor externo e as sondagens de confiança da FGV. No front externo, destaques para o deflator de gastos pessoais (PCE) dos EUA, além da renda e dos gastos pessoais, PIB, PMI manufatura e serviços, pedidos de bens duráveis, estoques no atacado, confiança do consumidor e os números do mercado imobiliário. Na Zona do Euro saem o PMI manufatura e serviços e a confiança do consumidor.

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