A trajetória dos dados do setor externo desperta preocupação com o crescimento da vulnerabilidade das contas externas, refletido no déficit em conta corrente de -3,50% do PIB em julho (-1,37% do PIB em jul/24). Com a economia aquecida, a maior pressão para essa deterioração adveio, principalmente, do impacto do forte crescimento das importações no saldo da balança comercial.
Apesar de que na margem tenha sido superior, pelo 3º mês consecutivo, o Investimento Direto no País (IDP) acumulado em 12 meses (12m) foi incapaz de financiar o saldo negativo. Contudo, não há sinais de pressão cambial, com a cotação do real se favorecendo do diferencial elevado entre as taxas de juros interna e externa.
O processo desinflacionário vem respondendo gradualmente à política monetária contracionista e à apreciação cambial. Após registrar uma alta de 0,33% em jul/25, o IPCA-15 exibiu uma queda de -0,14% em agosto, o número contudo ficou acima das expectativas de mercado. Assim, a taxa acumulada em 12m desacelerou de 5,30% a.a. em jul/25 para 4,95% a.a. em agosto. Após registrar quedas por 3 apurações consecutivas, e com um recuo de -0,77% em jul/25, o IGP-M avançou 0,36% em agosto, graças à reaceleração dos preços de produtos agropecuários.
De forma conjunta, observa-se uma gradual redução nas expectativas inflacionárias, com a inflação esperada para 2025 diminuindo de 4,86% em 22/08 para 4,85% em 29/08 (5,07% há 4 semanas), para 2026 de 4,33% para 4,31% (4,43% há 4 semanas) e no horizonte relevante (1T27) de 4,20% para 4,18% (4,28% há 4 semanas).
Evidenciando uma perda de intensidade da atividade, o Caged indicou uma geração de 1,35 milhão de novos postos de trabalho acumulados até julho de 2025, ficando -10,4% abaixo do número no mesmo período de 2024 (1,50 milhão). Em linha, as Sondagens da FGV apresentaram movimentos generalizados de deterioração no sentimento de confiança.
O déficit primário do setor público consolidado elevou-se de R$ -47,09 bilhões em jun/25 para R$ -66,57 bilhões em julho (R$ -21,35 bilhões em jul/24). Todavia, haveria uma melhora na comparação interanual com o resultado de apenas R$ -6 bilhões, caso no mês não houvesse o pagamento de precatórios. Adicionando-se o aumento da taxa de juros, o déficit nominal saltou de -7,30% em jun/25 para -7,86% do PIB em julho (-9,89% em jul/24).
A despeito do índice de preços de gastos com consumo (PCE) nos EUA apresentar um crescimento de 2,6% a.a. e da 2ª leitura do PIB do 2T25 surpreender com uma alta de 3,3% a.a. cresceram as apostas de uma flexibilização monetária em setembro. O FedWatch da CME indicou um aumento de 83,7% em 25/08 para 86,4% em 29/08 na probabilidade de um corte de -0,25 p.p. taxa básica de juros em 17/09/25.
Nos próximos dias, as atenções se voltam para a divulgação do PIB do 2T25 e da produção industrial de julho, que devem confirmar a tendência de desaceleração da atividade econômica, além dos números do emplacamento de veículos e da balança comercial. No front externo, enfoque no relatório do mercado de trabalho dos EUA em agosto (payroll), após a surpresa negativa no dado de julho, assim como no Livro Bege do Federal Reserve (Fed) e PMI manufatura e serviços. Na Zona do Euro, destaques para a inflação ao consumidor (CPI), vendas no varejo, PIB e PMI manufatura e serviços, enquanto na China, as atenções se voltam para o PMI manufatura.


