
Nos dias 24 e 25 de setembro, São Paulo recebeu o CORE Summit 2025, organizado pelo Coremec em parceria com a Fenasbac. O evento reuniu reguladores, instituições financeiras e especialistas para discutir os rumos da cibersegurança no sistema financeiro nacional.
Além disso, a ABBC esteve representada pelo CEO Leandro Vilain, que participou do painel “IA em Ambientes Supervisionados: Segurança, Conformidade e Resiliência”, realizado no dia 25, no Teatro CIEE.
A sessão também contou com a presença de Daniel T. Stivelberg (Nubank), Marina Gontijo (Oliver Wyman), Paulo Roberto Miller (Susep) e Rodrigoh Henriques (Fenasbac).
Dois eixos para aplicação da IA
Ao iniciar sua fala, Vilain destacou que a aplicação da inteligência artificial na supervisão de riscos pode ser dividida em dois grandes eixos.
Por um lado, o regulador precisa usar tecnologia para lidar com o crescimento exponencial do sistema financeiro e tornar os processos de supervisão mais eficientes.
Por outro lado, as instituições financeiras já aplicam IA em áreas como prevenção a fraudes, combate à lavagem de dinheiro e proteção contra ataques cibernéticos.
Além disso, ele ressaltou que cada frente demanda soluções específicas e que esse movimento já começa a se consolidar no Brasil, um país historicamente aberto à inovação.

Velocidade dos ataques e necessidade de cooperação
Na sequência, Vilain chamou a atenção para a velocidade com que os ataques cibernéticos evoluem diante do avanço tecnológico.
Por isso, defendeu a necessidade de cooperação entre academia, setor privado e reguladores para fortalecer a resiliência do sistema financeiro.
“É fundamental que todos esses atores estejam cada vez mais unidos para entregar à sociedade ganhos reais em segurança e resiliência”, afirmou.
Frentes estratégicas do regulador
Em sua terceira intervenção, Vilain destacou duas frentes estratégicas:
- Participação desde as fases iniciais dos processos de inovação, assegurando transparência.
- Uso de sandbox regulatório para orientar o mercado sobre caminhos possíveis.
Além disso, ele alertou para a escassez de mão de obra em tecnologia, especialmente em cibersegurança.
“Será necessário enfrentar dois a três anos de déficit de especialistas. É fundamental direcionar recursos para formar novos profissionais”, pontuou.
Contribuições dos painelistas
As falas de Vilain se conectaram às contribuições dos demais painelistas.
Paulo Roberto Miller (Susep) ressaltou que algoritmos e sistemas devem ser auditáveis e transparentes, permitindo supervisão confiável.
Marina Gontijo (Oliver Wyman) lembrou que a IA deve ser tratada não apenas como solução, mas também como fonte de novos riscos. Para ela, é essencial desenvolver uma taxonomia clara, definir apetite ao risco tecnológico e mapear todo o ciclo de vida da ferramenta, com supervisão humana reforçada nos pontos críticos.
Por sua vez, Daniel T. Stivelberg (Nubank/Zetta) destacou a importância de rastreabilidade e boas práticas na contratação de soluções de IA. Ele apresentou a iniciativa da Zetta, que desenvolve um manual de referência para provedores interessados em atuar no setor financeiro, contemplando temas como cibersegurança, propriedade intelectual e requisitos regulatórios.
Futuro colaborativo e seguro
O debate mostrou que, embora haja desafios relevantes, o futuro da IA no sistema financeiro brasileiro caminha para um modelo cada vez mais colaborativo, seguro e transparente.
A participação da ABBC reforça seu compromisso em promover a inovação com responsabilidade, contribuindo para um setor financeiro mais resiliente e preparado para as transformações tecnológicas.


