Em painel na Conferência Anual do Citi, Leandro Vilain e Isaac Sidney avaliaram o cenário macroeconômico, defenderam avanços no consignado privado e apontaram qualidade dos ativos, duplicatas escriturais, combate às fraudes e aperfeiçoamentos do FGC entre as prioridades para 2026 e 2027.

Em um cenário de juros elevados, expansão do crédito e desafios crescentes para a qualidade das carteiras, representantes das duas maiores entidades do setor financeiro brasileiro apresentaram, no último dia 17 de junho, sua visão sobre os principais temas que devem moldar o sistema financeiro nos próximos anos. Durante a Conferência Anual do Citi, em São Paulo, o CEO da ABBC, Leandro Vilain, e o presidente da Febraban, Isaac Sidney, participaram de painel mediado por Gustavo Schroden, head de Pesquisa Financeira para a América Latina do Citi, diante de uma plateia formada por investidores institucionais.
Confira os principais pontos apresentados pelos dois líderes.
Macroeconomia
Ao abordar o cenário macroeconômico, Vilain destacou que a economia brasileira conviveu nos últimos anos com sinais contraditórios, combinando uma taxa Selic elevada com um mercado de trabalho aquecido e próximo do pleno emprego. Na avaliação do executivo, entretanto, diversos indicadores começam a apontar para uma nova fase do ciclo, com desaceleração gradual do crédito às famílias e aumento das preocupações em relação à qualidade dos ativos.
Isaac Sidney concordou com essa leitura, mas acrescentou que a forte expansão do crédito promovida por instituições financeiras desafiantes (fintechs, IPs, Sociedades de Crédito Direto) também contribuiu para o quadro atual. Segundo ele, o crescimento do crédito em segmentos mais arriscados e o elevado comprometimento da renda das famílias exigem maior atenção do mercado.
Consignado Privado
Os dois dirigentes também avaliaram o desempenho do consignado privado. Embora tenham classificado o produto como uma das grandes oportunidades de expansão do crédito no país, reconheceram que questões operacionais ainda limitam seu potencial. Para eles, os ajustes em andamento permitirão a consolidação de uma modalidade capaz de ampliar o acesso ao crédito com custos menores para os trabalhadores.
Desenrola
Sobre o Programa Desenrola, Isaac Sidney afirmou que a iniciativa cumpriu um importante papel social ao permitir a renegociação de dívidas e a reinserção de consumidores no sistema financeiro. Segundo ele, porém, programas de renegociação funcionam como uma resposta emergencial e não substituem a necessidade de enfrentar as causas estruturais do endividamento excessivo. O dirigente observou que parte relevante do problema está associada ao crescimento mais agressivo da oferta de crédito em determinados segmentos do mercado.
Regulação
No campo regulatório, Leandro Vilain destacou a implementação gradual de novas exigências prudenciais, entre elas a Resolução CMN nº 5.223, que dispõe sobre a Razão de Alavancagem das instituições financeiras. O executivo ressaltou que o aperfeiçoamento contínuo do arcabouço regulatório é fundamental para reforçar a resiliência do sistema financeiro brasileiro, em um contexto de transformação impulsionado por iniciativas como o Open Finance. Além disso, mencionou a Resolução nº 5.238, que introduz ajustes nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), voltados ao fortalecimento da estabilidade do sistema.
O segundo destaque foi a entrada em operação da plataforma de duplicatas escriturais (versão digital da tradicional Duplica Mercantil, em papel), prevista para o terceiro trimestre. Segundo Vilain, a nova infraestrutura deverá ampliar a segurança jurídica e impulsionar o mercado de recebíveis, abrindo espaço para uma expansão significativa do crédito destinado às pequenas e médias empresas.
Isaac Sidney acrescentou outras prioridades regulatórias para os próximos anos, entre elas o reforço dos mecanismos de combate a fraudes e golpes financeiros e o aperfeiçoamento das regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O presidente da Febraban defendeu avanços que promovam maior transparência, melhor distribuição dos produtos garantidos e uma avaliação mais adequada do perfil de risco dos investidores.
Sistema fortalecido
Ao final do encontro, a mensagem transmitida aos investidores foi de que, apesar dos desafios trazidos pelo atual ambiente macroeconômico, o setor financeiro brasileiro caminha para uma nova etapa de fortalecimento institucional, com maior foco em qualidade dos ativos, gestão de riscos, proteção dos consumidores e ampliação da eficiência do mercado de crédito.
Sobre a Conferência
A 18ª Citi Brasil Equity Conference é um evento exclusivo que reúne grandes empresas e investidores institucionais para um debate aprofundado sobre os eventos que estão moldando empresas, indústrias e mercado em todo o mundo.
Com a participação de especialistas nacionais e internacionais de diversos setores, nossa conferência oferece um panorama único, trazendo as análises mais relevantes e estratégicas — uma visão global que só o Citi pode proporcionar.
A Conferência de Equity faz parte da trajetória do Citi, conectando investidores e empresas, impulsionando oportunidades e contribuindo para o progresso econômico.


