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Aliança contra fraudes digitais intensifica ofensiva ao golpe da falsa central e acelera adoção de ferramentas de proteção

Golpe que mais cresce no sistema financeiro já acumula perdas estimadas em R$ 1,5 bilhão e leva bancos, autoridades e setor de telecomunicações a reforçarem ações conjuntas de prevenção, bloqueio e conscientização.

O combate ao golpe da falsa central telefônica tornou-se uma das principais prioridades da Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais. Durante atualização apresentada à Comissão de Prevenção a Fraudes da ABBC, a pedido da associação e da Febraban, o diretor da Accenture, Boaventura D’Ávila, destacou que essa modalidade foi a que registrou maior avanço entre as fraudes bancárias digitais, impulsionando novas medidas de cooperação entre instituições financeiras, órgãos públicos e empresas de telecomunicações.

Os números ajudam a explicar a preocupação. No primeiro semestre de 2025, os registros de golpes de falsa central cresceram quase 196% em relação ao mesmo período do ano anterior, tornando-se a segunda fraude mais comunicada pelos clientes às instituições financeiras. As perdas associadas a esse tipo de crime já alcançam cerca de R$ 1,5 bilhão.

O avanço da fraude levou a Aliança a concentrar esforços na iniciativa “Linhas Seguras”, que reúne bancos, autoridades e o setor de telecomunicações para reduzir o uso de chamadas telefônicas fraudulentas. A estratégia combina ferramentas de autenticação de chamadas, mecanismos de bloqueio e campanhas de conscientização voltadas à população.

Entre as principais apostas está a ampliação do uso do Origem Verificada, tecnologia que permite confirmar a autenticidade de ligações realizadas por empresas e instituições financeiras, exibindo ao usuário informações como nome, logotipo e motivo do contato. A expectativa é dificultar a prática de spoofing, técnica utilizada por criminosos para mascarar números telefônicos e se passar por bancos ou centrais de atendimento legítimas.

Outra frente considerada estratégica é a ferramenta de Notificação de Falsa Central, desenvolvida para registrar ocorrências de vishing (golpe de engenharia social realizado por ligações telefônicas ou mensagens de voz), bloquear originações indevidas de chamadas e gerar informações que possam apoiar investigações e ações regulatórias.

Além das iniciativas tecnológicas, a Aliança também acompanha mudanças no ambiente regulatório e legislativo. Entre os avanços recentes está a sanção da Lei nº 15.397/2026, que tipifica a cessão de contas bancárias para atividades criminosas, prática conhecida como uso de “contas laranja”. Paralelamente, o grupo apoia o avanço de propostas legislativas que buscam restringir o acesso de fraudadores ao sistema financeiro e fortalecer os mecanismos de prevenção.

A atualização também mostrou que a Aliança encerrou 2025 com uma série de entregas voltadas ao enfrentamento das fraudes digitais, incluindo materiais de capacitação para agentes públicos, manuais de atendimento às vítimas, conteúdos educativos para a população e propostas de aperfeiçoamento de mecanismos de compartilhamento de dados e rastreabilidade.

Para o setor financeiro, a mensagem é clara: diante da sofisticação crescente das fraudes digitais, o enfrentamento do problema dependerá cada vez mais da integração entre bancos, autoridades públicas, empresas de telecomunicações e usuários, combinando tecnologia, inteligência e educação financeira para reduzir riscos e fortalecer a confiança nos canais digitais.

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