•A semana foi novamente marcada por elevada volatilidade nos mercados, refletindo a leitura de que o choque nos preços do petróleo tende a ser mais persistente do que se esperava, motivando uma postura mais cautelosa por parte dos bancos centrais.
•No monitorando da FedWatch, a probabilidade de que a taxa dos Fed Funds fique no atual patamar de 3,50% a.a. a 3,75% a.a. até o final de 2026 ampliou-se de 64,0% em 20/3 para 72,4% em 27/3 (3,9% em 27/2).
•Em suas comunicações recentes, o Banco Central (BC) reforçou a postura de maior parcimônia na condução da política monetária, destacando a interrupção da trajetória de queda nas expectativas inflacionárias e o início de revisões altistas, em função do choque global de petróleo.
•No cenário de referência, em que esse choque é tratado como temporário, consequentemente, os impactos sobre a inflação no horizonte relevante mostraram-se mais modestos. As projeções indicam IPCA de 3,9% em 2026, recuando para 3,3% no 3T27 e aproximando-se da meta no 3T28 (3,1%).
•Diante do aprofundamento das incertezas, os próximos movimentos serão definidos à medida que se tenha uma melhor avaliação a respeito do impacto e extensão do choque que permita, ao longo do tempo, a análise dos efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços e atividade.
•No Boletim Focus, a escalada dos preços de energia já se reflete nas projeções. A estimativa para o IPCA de 2026 saltou expressamente de 4,17% em 20/3 para 4,31% em 27/3 (3,91% há 4 semanas), com a inflação suavizada para 12 meses (12m) à frente elevando-se de 4,07% para 4,10% (3,92% há 4 semanas). Em paralelo, houve um reprecificação da trajetória da Selic, com expectativa de corte mais moderado, de -0,25 p.p. na reunião de abril. No mercado de opções digitais da B3, a probabilidade desse movimento aumentou de 35,0% para 40,0% no período.
•Com uma elevação bem superior à esperada, e com baixo impacto do choque nos preços de petróleo, a alta do IPCA-15 reduziu-se para 0,44% em março, com a taxa anualizada desacelerando de 4,10% a.a. para 3,89% a.a. (+5,26% a.a. em mar/25). Ainda distante da meta de 3,0%, a média dos 5 núcleos acompanhados pelo BC recuou de 4,45% a.a. para 4,33% a.a..
•No campo fiscal, a arrecadação federal apresentou um crescimento real de 5,7% em relação a fev/25, alcançando R$ 222,1 bilhões.
•O mercado de trabalho apresentou alguns sinais de acomodação, com a taxa de desocupação subindo a 5,8% no trimestre findo em fevereiro (+0,6 p.p no trimestre e -1,0 p.p. em relação a fev/25). Embora, os rendimentos sigam positivos (+2,0% no trimestre e +5,2% a.a.).
•Nas contas externas, ainda que o déficit das transações correntes tenha se ampliado para US$ -62,4 bilhões (2,92% do PIB), continua sendo totalmente financiado pelo fluxo de Investimento Direto no País (IDP), em US$ 74,5 bilhões (3,48% do PIB).
•Na agenda da semana, destacam-se os dados da produção industrial, Caged, estatísticas fiscais e IGP-M. No cenário internacional, o foco recai sobre o payroll, vendas no varejo, PMI manufatura e serviço e a confiança do consumidor nos EUA. Na Zona do Euro serão divulgados à inflação ao consumidor, PMI manufatura e confiança do consumidor. Na China, a atenção se volta ao PMI manufatura e serviços.


