•Mesmo com a expectativa mais otimista desta 2ª feira para o encaminhamento do conflito no Oriente Médio reduzindo fortemente os prêmios de risco dos ativos financeiro, persiste a leitura de que o choque provocado nos preços do petróleo seja mais prolongado do que se esperava, o que obriga um posicionamento mais cauteloso dos bancos centrais. Com uma reprecificação nos mercados de renda fixa, diversas jurisdições passaram, inclusive, a contemplar a chance de elevações nas taxas de juros.
•No monitoramento da FedWatch, da CME, a probabilidade de que a taxa dos Fed Funds permaneça na faixa entre 3,50% a.a. e 3,75% a.a. até o final de 2026 elevou-se significativamente de 39,1% em 13/3 para 64,0% em 20/3 e as chances de que se tenha algum aumento subiu de 0,0% para 25,4%.
•A escalada nos preços de petróleo já impacta as projeções no Boletim Focus. Com o aumento pela 2ª semana consecutiva, a expectativa de inflação para 2026 passou de 4,10% para 4,17% (3,91% há 4 semanas) e a da inflação suavizada para 12 meses (12m) à frente de 3,99% para 4,07% (3,95% há 4 semanas). Porém, para o horizonte relevante para política monetária (3T27) houve uma ligeira elevação de 3,66% para 3,67% (3,70% há 4 semanas) na inflação acumulada em 4 trimestres.
•A despeito do recrudescimento da assimetria de alta no balanço de riscos para a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu início ao processo de calibragem da política monetária, ainda que de forma cautelosa, reduzindo a Selic em -0,25 p.p. para 14,75% a.a..
•Ainda em um contexto de elevada incerteza, o Boletim Focus manteve a projeção de um corte de -0,50 p.p. nos juros em abril. Sem o Copom sinalizar expressamente qualquer movimento futuro, no mercado de opções digitais na B3, a probabilidade de uma queda de -0,50 em abril reduziu-se de 52,0% para 34,0%, enquanto a de uma redução de -0,25 p.p. elevou-se de 20,0% para 39,0%.
•Com a forte intervenção do Tesouro Nacional (TN) mitigando a volatilidade no mercado de juros, a taxa real de juros ex-ante de 1 ano encerrou a semana em 9,88% a.a. (+0,44 p.p. no ano), nível bem acima dos 5,0% considerado como neutro pelo Banco Central (BC).
•Com a taxa de juros real permanecendo em terreno extremamente contracionista, bem acima da taxa de equilíbrio, a atividade em desaceleração e a desinflação, ainda que lenta, a política monetária mostra-se bem-posicionada para enfrentar o choque.
•Contudo, com o distanciamento adicional da projeção de inflação em relação à meta no horizonte relevante, fica difícil a visualização dos próximos movimentos no processo de calibragem. A evolução da política monetária dependerá das novas informações que aumentem a clareza do cenário no que tange aos efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços e, também, da atividade.
•Confirmando a moderação do crescimento econômico, o Monitor do PIB-FGV mostrou uma alta de apenas 0,2% em janeiro, com a taxa acumulada em 12m desacelerando de 3,2% a.a. em jan/25 para 2,2% a.a.. Favorecido momentaneamente pelas cotações das commodities, o IGP-10 manteve a trajetória de desinflação, com a taxa anualizada ampliando-se de -2,25% a.a. em fev/26 para -2,53% a.a. (+8,59% a.a. em mar/25).
•Na semana, as atenções também estarão voltadas para os números do IPCA-15, Pnad, estatísticas do setor externo e os índices de confiança da FGV. Com agenda esvaziada no front externo, destaques para a confiança dos consumidores e o PMI manufatura e de serviços nos EUA e na Zona do Euro.


