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Tensão no Oriente Médio embaralha as apostas na política monetária

O conflito no Oriente Médio elevou abruptamente os preços do petróleo e a aversão ao risco, com a maior volatilidade, a perspectiva futura de flexibilização das políticas monetárias foi colocada em xeque.
O dólar voltou a ganhar força no mercado de câmbio internacional, derrubando as cotações das moedas, ouro e bolsas. O real depreciou-se em 2,20% em relação à moeda norte-americana que fechou a semana cotada a R$ 5,24.
As principais bolsas internacionais registraram perdas. A cotação do ouro caiu e houve um forte aumento de 27,88% na cotação do barril de petróleo tipo Brent. O rendimento do treasury de 10 anos subiu 0,18 p.p. para 4,15% a.a. e a taxa real de juros ex-ante de 1 ano ficou em 9,21% a.a., o que representou uma elevação de 0,35 p.p..
Nos EUA, a aposta majoritária é de um corte de -0,25 p.p. nos fed funds em julho, com a probabilidade recuando de 44,5% em 27/02 para 43,4% em 06/03.
A despeito dos temores de uma deterioração mais abrupta do mercado de trabalho, após os números decepcionantes do Payroll em fevereiro, a chance de apenas 1 corte de -0,25 p.p. subiu de 25,8% para 32,5%.
Já no ambiente doméstico, embora o Boletim Focus siga indicando um corte de -0,50 p.p. na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) da próxima semana, no mercado de opções do Copom na B3, a chance de uma redução de -0,50 p.p. caiu de 77,5% em 27/02 para 58,0%.
Embora os dados da atividade econômica continuem sinalizando desaceleração, com o PIB do 4T25 registrando uma alta de apenas 0,1%, na série dessazonalizada, com o desempenho desacelerando de 3,4% em 2024 para 2,3% em 2025 e deixando um carrego estatístico de somente 0,19% para 2026.
E apesar de que a produção industrial tenha surpreendido com um aumento de 1,8% em janeiro, acima das expectativas, a variação trimestral fechou em queda de -1,0%, com uma herança de somente 0,4% para o 1T26 e de queda de -0,2% para 2026.
O mercado de trabalho segue mostrando robustez, com a criação líquida de 112,3 mil postos de trabalho em janeiro, segundo o Caged, e com a Pnad Continua registrando uma taxa de desemprego de 5,4%. Ademais, o rendimento real manteve sua trajetória de valorização, subindo 2,8% no trimestre e 5,4% na comparação anual, o que deve sustentar o consumo das famílias.
O IGP-Di caiu -0,84% em fevereiro, acumulando uma redução de -2,91% em 12 meses (12m). Em linha, o Índice de Commodities do BC (IC-Br) recuou -3,22% no mês e -7,60% a.a., devendo gerar uma menor pressão na inflação ao consumidor.
Para esta semana, no cenário local, destaques para o IPCA, a PMS e a PMC. Já no exterior, ressaltam-se as inflações ao produtor e ao consumidor e a balança comercial chinesa, a produção industrial na Zona do Euro e, nos EUA, a inflação ao consumidor, o PCE, o PIB do 4T25 e a confiança do consumidor da Universidade de Michigan.

  • Comportamento_semanal_de_mercado_20260306.pdf
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