•Sem se comprometer com o ritmo e a magnitude, o Banco Central (BC) sinalizou o início do ciclo de redução da taxa Selic para a reunião de março, mas ressaltando que o patamar de juros deverá se manter em nível restritivo, até que se consolide a ancoragem das expectativas à meta. Neste sentido, as discussões passam a envolver a calibragem da política monetária, em um contexto de melhora do cenário da inflação corrente e lenta redução das expectativas.
•Na semana, a probabilidade de uma queda de -0,50 p.p. no mercado de opções do Copom da B3 elevou-se de 50,0% em 30/01 para 67,50% em 05/02. Paralelamente, o Boletim Focus também manteve a indicação de um corte de -0,50 p.p. em março.
•Ainda no Focus, a mediana das projeções para o IPCA para 2026 caiu na semana de 3,99% para 3,97% e a para a inflação acumulada em 4 trimestres para o horizonte relevante (3T27) de 3,73% para 3,72%.
•Com uma pequena pressão na margem, o IGP-DI acumulou uma deflação de -1,11% a.a. em janeiro. O índice de commodities do BC (IBC-Br) apresentou uma elevação de 1,95% em janeiro, alavancada inteiramente pelo aumento de 14,65% nos produtos metálicos, refletindo o overshooting nas cotações do ouro e da prata e respondendo ao impacto da incerteza da geopolítica internacional na cotação do dólar, o que tende a não se repetir em fevereiro.
•Refletindo os efeitos defasados da política contracionista, a produção industrial recuou -1,23% em janeiro, levando a variação trimestral sair de uma redução de -0,11% no 3T25 para uma queda de -0,65% no 4T25, um carrego estatístico de -1,4% para 2026. Na mesma linha, a produção de veículos acumulada em 12 meses (12m) diminuiu de 3,5% a.a. em dez/25 para 1,5% a.a. em janeiro (+11,1% a.a. em jan/25).
•O superávit da balança comercial recuou de US$ 9,3 bilhões em dez/25 para US$ 4,3 bilhões em janeiro. Mesmo diante das questões envolvendo as tarifas de importação impostas pelos EUA, houve um crescimento de 85,8% ante jan/25.
•O percentual dos consumidores que se consideram endividados voltou a alcançar o maior nível da série, saindo de 78,9% em dez/25 para 79,5% em janeiro (76,1% em jan/25). Adicionalmente, houve uma piora na percepção do endividamento, com o percentual de pessoas que se consideram “muito endividadas” elevando-se de 15,7% para 16,1% (15,9% em jan/25).
•Com um montante de R$ 331,2 bilhões em depósitos e de R$ -354,7 bilhões em retiradas, a caderneta de poupança apresentou um saque líquido de R$ -23,5 bilhões em janeiro.
•Na semana, as atenções se voltam aos números da inflação e atividade que ajudarão a calibrar as perspectivas para a magnitude do corte da Selic. Serão divulgados o IPCA de janeiro, as pesquisas dos setores de serviços e de comércio e o IPG-10. No front internacional, destaques para o payroll, vendas no varejo e inflação ao consumidor (CPI) dos EUA, PIB da Zona do Euro e inflações ao consumidor e ao produtor na China.


