•Em semana de decisões de política monetária, o Federal Reserve (Fed) assinalou que dado, o cenário de inflação e atividade, a taxa de juros estaria bem calibrada, o que dá conforto para a sua manutenção por um período prolongado caso haja a necessidade.
•Já avaliando que a estratégia atual segue compatível com a convergência da inflação à meta, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15,00% a.a.. Diante de sinais mais claros de transmissão da política monetária e de um ambiente de menor inflação, passou a discutir a calibração dos juros, sinalizando o início da flexibilização em março, com cautela quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo.
•Os riscos para a inflação no balanço mantiveram-se mais elevados do que o usual. As projeções de inflação foram revisadas no cenário de referência, de 3,5% para 3,4% para 2026 e situando-se em 3,2% para o horizonte relevante da política monetária (3T27).
•Apoiado pelo fluxo estrangeiro positivo e o diferencial de juros, os ativos domésticos apresentaram bons desempenhos em janeiro: o Ibovespa acumulou, no mês, ganhos de 12,56%; o real apreciou-se em 3,88%; a curva de juros apresentou redução significativa nos prêmios de risco; e o risco soberano medido pelo CDS de 5 anos cedeu -8,18 bps..
•O cenário para a inflação continuou melhorando de forma gradual, tanto nas expectativas como na inflação corrente. O Boletim Focus reduziu, na semana, a projeção do IPCA de 2026 de 4,00% para 3,99% e a estimativa para a inflação suavizada para 12 meses (12m) à frente de 4,01% para 3,99%.
•Apesar do IPCA-15 em termos anualizados ter subido de 4,41% a.a. em dez/25 para 4,50% a.a. em janeiro, a aceleração foi provocada, principalmente, pelo impacto do pagamento do Bônus de Itaipu em jan/25. Com a dissipação desse efeito na série, a trajetória de desinflação deve ser retomada. Ademais, observou-se um movimento favorável no grupo de serviços. Mesmo com alta na variação mensal, o IGP-M apresentava uma deflação de -0,91%. a.a.
•Com alguma melhora na margem, as contas externas fecharam 2025 com um déficit de US$ -68,8 bilhões (3,0% do PIB), ainda amplamente financiado pelos Investimentos Diretos no País (IDP). Contudo, o quadro exija cautela em um contexto global mais incerto.
•No mercado de trabalho, apesar da desaceleração nas contratações formais, a taxa de desemprego caiu para 5,1%, mínima histórica, com crescimento da ocupação e da renda.
•No campo fiscal, o setor público registrou déficit primário de -0,43% do PIB em 2025, com a dívida bruta em alta no ano, refletindo sobretudo o impacto dos juros.
•Na semana, destaque para a ata do Copom na expectativa por detalhes da estratégia do processo de afrouxamento monetário, além dos números da produção industrial, balança comercial e o IGP-DI. No cenário internacional, ênfase para as informações do mercado de trabalho dos EUA, PMI manufatura e serviços e confiança do consumidor. Na Zona do Euro, para a reunião de política monetária, vendas no varejo, inflação ao consumidor e PMI manufatura e serviços, além de PMI na China.


