O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15,00% a.a., sem sinalização clara do horizonte temporal para o início da flexibilização. Com ajustes mínimos e ambíguos em relação ao comunicado anterior, a mensagem passou a afirmar que ao invés de suficiente, a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Adicionalmente, a menção ao mercado de trabalho alterou-se de dinamismo para a resiliência, indicando uma leitura de moderação pelo Banco Central (BC).
A combinação de uma taxa de câmbio mais apreciada e de um comportamento mais benigno nas cotações das commodities com a desaceleração da atividade tem contribuído com a dinâmica inflacionária mais favorável, de modo que a projeção do Copom para a inflação acumulado em 12 meses (12m) no cenário de referência diminuiu de 3,3% para 3,2% no horizonte relevante (2T27), aproximando-se do centro da meta.
Apresentando também uma evolução positiva nos indicadores qualitativos, o IPCA anualizado reduziu-se de 4,68% a.a. em out/25 para 4,46% a.a. em novembro, abaixo do teto da meta de 4,50%. Acompanhando de forma mais lenta esse movimento, a expectativa de inflação para 2026 no Boletim Focus diminuiu na semana de 4,16% para 4,10% (4,20% há 4 semanas).
Com a ausência de sinalização do Copom para o início da flexibilização monetária, a probabilidade no mercado de opções da B3 para a manutenção da Selic em 15,00% em janeiro aumentou de 42,1% em 05/12 para 58,0% em 11/12. Em consonância, o Focus só vê o início dos cortes em março de 2026, com uma queda de -0,50 p.p.
Reiterando o desaquecimento da economia, o índice de atividade econômica do BC (IBC-Br) recuou -0,25% em outubro, na série com ajuste sazonal. A expansão do acumulado em 12m reduziu-se de 3,07% a.a. em set/25 para 2,52% a.a. em outubro, deixando um carregamento estatístico de 2,27% para 2025 (3,77% em dez/24).
Apesar das surpresas positivas na margem, os setores de varejo e serviços continuaram perdendo tração. O avanço do acumulado em 12m das vendas no varejo arrefeceu de 2,1% a.a. em set/25 para 1,7% a.a. em outubro no conceito restrito (4,1% em nov/24) e de 0,7% a.a. para estabilidade no ampliado (3,7% em nov/24). No setor de serviços, o crescimento desacelerou de 3,1% a.a. para 2,8% a.a. (2,8% em nov/24).
O Federal Reserve (Fed) reduziu a taxa básica de juros em -0,25 p.p. para a faixa entre 3,50% e 3,75% a.a., indicando somente 1 corte de -0,25 p.p na taxa dos Fed Funds em 2026. Contrariando essa estimativa, a probabilidade no FedWatch de que o indicador fique entre 3,00% a.a. e 3,25% a.a. ao final de 2026 subiu de 30,8% em 08/12 para 32,0% em 12/12.
Na semana, espera-se que a publicidade da ata e do Relatório de Política Monetária possa ajudar na avaliação dos próximos passos do Copom. Ainda na agenda, ocorrerão as divulgações do IGP-10, Monitor do PIB e estatísticas do setor externo.
No front internacional, destaque para a divulgação do payroll e do CPI dos EUA, além da reunião de política monetária do Banco Central Europeu e os dados da atividade na China (produção industrial e vendas no varejo).