As incertezas com a evolução do mercado de trabalho nos EUA e os receios com uma possível bolha nos preços das ações das empresas de tecnologia sustentaram na semana o aumento na aversão ao risco dos ativos financeiros. Como desdobramento, houve uma queda generalizada nos índices das principais bolsas de valores.
Mesmo com o governo dos EUA anunciando a remoção das tarifas adicionais de 40% que incidiam sobre inúmeros produtos brasileiros, principalmente itens do setor agropecuário, como carne bovina, café e frutas e com efeito retroativo a 13 de novembro, o real apresentou um desempenho inferior à média de seus pares emergentes, depreciando-se em 2,00% na semana, com o dólar cotado a R$ 5,40. O risco soberano brasileiro medido pelo prêmio do CDS de 5 anos elevou-se em 3,66 bps para 146,05 bps e o Ibovespa cedeu -1,88%.
A divulgação do payroll sugere uma desaceleração gradual do mercado de trabalho dos EUA. A despeito da criação de 119 mil postos em setembro, a revisão para baixo dos números dos meses anteriores, a taxa de desocupação elevando-se de 4,3% em ago/25 para 4,4% em setembro e o número total de desempregados avançando para 7,6 milhões ampliaram as apostas em relação à um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro. No monitoramento da FedWatch, a probabilidade de uma redução de -0,25 p.p. em dezembro da taxa básica de juros para entre 3,50% a.a. e 3,75% a.a. aumentou de 44,4% em 14/11 para 71,0% em 21/11.
Assim como o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), o Monitor do PIB-FGV corroborou a leitura de um movimento de desaceleração da economia. Em setembro, o indicador mostrou uma estabilidade na margem e uma redução no crescimento de 0,2% no 2T25 para apenas 0,1% no 3T25, na série dessazonalizada. A taxa acumulada em 12 meses (12m) desacelerou de 2,7% a.a. em ago/25 para 2,5% a.a. em setembro (3,0% a.a. em set/24).
Impulsionada pelo recolhimento do IOF, a arrecadação federal alcançou R$ 261,9 bilhões em outubro, uma alta real de 0,92% na comparação com out/24. Acumulando R$ 2,37 trilhões em 2025, a arrecadação cresceu, em termos reais, 3,20% em relação a igual período de 2024.
Na agenda da semana, destaque para o IPCA-15 de novembro, que deve continuar mostrando uma dinâmica benigna para alimentos e bens industriais, e alguma moderação em serviços. Serão, ainda, divulgados, os números do mercado de trabalho (Caged e Pnad), do setor externo e das contas fiscais – todos referentes a outubro. Ainda, saem as sondagens de confiança da FGV e o IGP-M. No front externo, com o fim do shutdown, serão divulgados nos EUA o índice de preços ao produtor (PPI), as vendas no varejo, os pedidos por bens duráveis, a confiança do consumidor e o Livro Bege do Fed. Na Zona do Euro, ênfase na confiança do consumidor.


