
A ABBC – Associação Brasileira de Bancos avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá manter a taxa Selic em 15% ao ano nas próximas reuniões, que acontecem em novembro e dezembro.
Além disso, a entidade acredita que, com a melhora gradual no balanço de riscos para a inflação, o Copom poderia iniciar o ciclo de afrouxamento monetário já na 1ª reunião de 2026, com um corte de 0,25 p.p.
Entre os fatores de pressão, estão a inflação anual de serviços, que segue acima da meta, e o elevado nível de incerteza em relação às políticas econômicas, tanto internas quanto externas.
Por outro lado, pesam no sentido oposto os riscos de uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica e os possíveis impactos de uma desaceleração global mais intensa, além da queda nos preços das commodities.
Em contrapartida, pesam no sentido oposto os riscos de uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica.
Também preocupam os possíveis impactos de uma desaceleração global mais intensa e de uma queda mais pronunciada nos preços das commodities
Expectativas da ABBC para a Política Monetária
Conforme analisa a assessoria econômica da ABBC, o IPCA acumulado em 12 meses sustenta uma trajetória de queda, devendo chegar ao final de 2025 em um valor muito próximo do teto da meta (4,52%). Para 2026, a expectativa é de 4,20%.
Já para o primeiro trimestre de 2027, a projeção é de 4,09%. “Vemos uma continuidade na melhora gradual do cenário inflacionário”, aponta Everton Gonçalves, diretor de Economia, Regulação e Produtos da ABBC.
Ainda assim, a entidade considera que esses fatores não devem ser suficientes para alterar a trajetória da política monetária definida pelo Copom.
Já pelo lado positivo, apesar da depreciação de 1,59% desde a última reunião, o real acumula valorização de 12,71% no ano, o que, segundo a ABBC, contribui para a convergência da inflação à meta. “
A distensão nas discussões sobre a política tarifária nos EUA deve favorecer a continuidade desse movimento, embora uma flexibilização monetária do Federal Reserve menos intensa do que a esperada possa contrabalancear esse movimento”, diz o diretor.
Expectativas sobre o comunicado do Copom
Para Gonçalves, o Copom não deve anunciar mudanças significativas, além das atualizações usuais das projeções e do balanço de riscos.
A expectativa é de ajustes pontuais nas variáveis consideradas e na avaliação da inflação, possivelmente acompanhados de alguma menção ao ambiente mais favorável decorrente da distensão nas discussões sobre a política tarifária com os Estados Unidos.
“O comitê deverá reforçar a sinalização de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista pelo tempo que for necessário.
Contudo, em função das elevadas incertezas, especialmente no ambiente externo, é importante a preservação do grau de liberdade para a condução da política monetária, dando particular atenção à evolução dos indicadores e à ancoragem das expectativas e assegurando flexibilidade e tempestividade na resposta às mudanças no cenário de referência”.


