O processo desinflacionário vem respondendo positivamente, ainda que de forma gradual, à política monetária contracionista e à apreciação cambial. Com medidas qualitativas favoráveis, a alta do IPCA-15 diminuiu de 0,48% em set/25 para 0,18% em outubro, com o resultado melhor do que o esperado (0,24% pelo Broadcast). Assim, a taxa acumulada em 12 meses (12m) desacelerou de 5,32% a.a. em set/25 para 4,94% a.a..
De forma conjunta, observa-se uma redução nas expectativas inflacionárias do Boletim Focus, ainda que de forma mais lenta para os prazos mais longos. Aproximando-se do teto da meta, o IPCA esperado para 2025 reduziu-se de 4,70% em 17/10 para 4,56% em 24/10. Já a inflação suavizada para 12m à frente caiu de 4,12% para 4,06% e para o horizonte relevante para a política monetária (1T27) de 4,14% para 4,11%.
Com a melhora do quadro inflacionário, no mercado de opções do Copom da B3, a probabilidade de um corte de -0,25 p.p. em jan/26 ampliou-se de 17,74% em 17/10 para 22,00% em 23/10.
Com a desaceleração da atividade, os números da arrecadação federal continuaram mostrando uma perda de ritmo em sua elevação. Atingindo R$ 2,82 trilhões, a variação da arrecadação acumulada em 12m reduziu-se, em termos reais, de 5,72% a.a. em ago/25 para 4,97% a.a..
O saldo negativo em conta corrente aumentou de -3,53% do PIB em ago/25 para -3,61% em setembro (-2,23% do PIB em set/24), alavancado pelo forte crescimento das importações. Ademais, há preocupação com o efeito da elevação sazonal do déficit ao final de 2025 em uma eventual elevação na vulnerabilidade das contas externas.
Em outubro, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) medida pela CNC reduziu-se pela 3ª vez consecutiva na margem, chegando aos 101,0 pts., o menor nível desde jun/23 (99,0 pts.).
Na frente internacional, a leitura é de que o repasse das tarifas de importação, impostas pelos EUA, tem sido gradual e de que as empresas estejam trabalhando com o estoque acumulado antes da implementação. Os preços ao consumidor (CPI) e as medidas de núcleo apresentaram um aumento menor do que o esperado em setembro, favorecendo a dinâmica desinflacionária e a flexibilização monetária pelo Federal Reserve (Fed).
Na agenda da semana, destaque para os dados de emprego (Pnad e Caged) e das contas públicas em setembro, e do IGP-M e sondagens da FGV de outubro. No front externo, a agenda de dados dos EUA tende a continuar impactada pela paralização do governo. Além das decisões de política monetária no EUA e na Zona do Euro, as atenções se voltam para o deflator de gastos pessoais (PCE), prévia do PIB do 3T25, pedidos por bens duráveis, confiança do consumidor e números do mercado imobiliário nos EUA. Ainda, saem o CPI, o PIB e a confiança do consumidor na Zona do Euro, além do PMI manufatura e serviços na China.


